segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CONSAGRAÇÃO DE UM EREMITA











No dia 12 de agosto (2016) sexta-feira, às 19h30, na Comunidade Santa Rosa de Lima, da Paróquia de São Sebastião, em Amparo, o bispo Dom Luiz Gonzaga Fechio acolheu, em uma missa festiva, os votos de vida eremítica de Vanderlei de Lima.

Concelebraram com Dom Luiz os padre Carlos Roberto Panassolo, pároco da Paróquia de São Sebastião, Bruno Roberto Rossi, Paróquia São Francisco de Assis e chanceler da Diocese, e Edimundo Dias Freitosa, da Diocese de Macapá, no Amapá, presente especialmente para os votos, na capela repleta de fiéis da própria comunidade e de amigos do neo consagrado vindos de outras comunidades e cidades.

Na homilia, Dom Luiz destacou a importância de se entregar a Deus nos diversos modos de doação na Igreja: sacerdócio ministerial, diaconato, vida leiga comum ou consagrada e a vida religiosa. Disse o bispo que em cada momento e lugar é preciso servir a Deus com amor aos irmãos e irmãs. Dom Luiz mencionou também os trabalhos que o agora Irmão Vanderlei de Lima desempenha e continuará a desempenhar, de modo recolhido, silencioso e atuante, para o bem do povo de Deus.
Terminada a Oração da Comunidade, teve início o Ato de Consagração com o chamado do candidato pelo bispo. Tendo respondido “Presente”, que significa o sim e a aceitação do apelo a seguir Jesus Cristo mais de perto, Vanderlei se ajoelhou e leu a fórmula de consagração apoiada no cânon 603 § 2 do Código de Direito Canônico. Por ela se comprometeu à vida de pobreza, castidade e obediência além da estabilidade na Diocese de Amparo, onde fez os votos, segundo antigo costume nesse modelo de vida.

Terminada a leitura, o bispo fez, de mãos estendidas sobre o neo consagrado, a longa oração apropriada para receber esses votos. Ela lembra que Deus distribui à Igreja os seus carismas para que cada fiel sirva a Ele nos vários modos de vida; pede que o Espírito Santo venha sobre o consagrado a fim de ter ele forças para demonstrar ao mundo a doutrina do Evangelho e se coloque a serviço dos irmãos e irmãs para receber já neste mundo o cêntuplo prometido e no céu a herança eterna.

Feita a oração, foi assinada sobre o altar a fórmula de profissão pelo Irmão Vanderlei e por Dom Luiz, depois pelo padre Carlos Panassolo e Ir. Irma Madalena Calgarôto, das Franciscanas do Coração de Maria, como testemunhas canônicas do ato. A seguir, o neo consagrado, ajudado pelo Pe. Bruno e pela Ir. Irma, se revestiu de seu hábito próprio: a veste talar branca, como uma túnica (estar revestido de Cristo), e sobre ela o escapulário (proteção da Virgem Maria e o serviço, já que, no século VI, por exemplo, ele servia de uma espécie de proteção para não sujar o hábito durante os trabalhos) com um longo capuz (recolhimento) além de um cinto preto de couro (estar sempre preparado ou cingido), enquanto se cantava o canto “Deixa tua terra”, apropriado para o momento.

Depois da missa, os presentes tiveram a oportunidade de cumprimentar o bispo e o neo consagrado, bem como participar de um momento de confraternização no salão da comunidade tomando sopa ou chá e conversando entre si.
Vida eremítica

O canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, diz que “Eremita (do latim eremus = deserto) é aquele que se retirava ao deserto para uma vida de oração e penitência. Chama-se também anacoreta, palavra de origem grega que significa ‘sem coro’. A vida eremítica foi o primeiro tipo de vida consagrada masculina, muito florescente a partir do último terço do século III”, mesmo que pouco conhecida entre nós.

Há, ainda de acordo com o mesmo autor, dois tipos de eremitas: os que estão integrados em uma ordem religiosa (p. ex. carmelitas, camaldulenses etc.), e os que vivem isoladamente sem se ligarem a um Instituto religioso. São chamados de “eremitas diocesanos”, pois fazem sua profissão (portanto, um ato juridicamente público) nas mãos do bispo diocesano (cf. Código de Direito Canônico. São Paulo: Loyola, 1983, comentário ao cânon 603).

A grande missão do eremita na Igreja é a Oração da Liturgia das Horas e o Trabalho manual, intelectual e pastoral dentro da caridade cristã para com todos, de um modo especial para com os mais necessitados de oração e apoio espiritual.

Charles de Foucauld

Charles de Foucauld (1858-1916) nasceu, no dia 15 de setembro, em Estrasburgo, na França, e decidiu-se ainda muito jovem pela carreira militar, talvez por influência de seu avô materno que o criou desde os 6 anos de idade, devido à morte prematura de seus pais. Foi para o Marrocos como militar, mas, depois de ter recebido, após diversas peripécias, baixa do Exército, tornou-se explorador geográfico daquela região, produzindo uma notável pesquisa para a época.

Nessas aventuras militares e também amorosas – teve vários namoros contrários à moral cristã –, confessou ter perdido a fé em Deus. Graças ao Pe. Huvelin, da igreja de Santo Agostinho, em Paris, retornou, em 1886, para a Igreja por meio de uma confissão sacramental bem feita. Orientado pelo mesmo padre Huvelin, então seu diretor espiritual, fez uma longa peregrinação à Terra Santa e ficou impressionado com o “espírito de Nazaré”, ou seja: a vida escondida de Cristo dos 12 aos 30 anos. Desejou também isso para ele.

Voltou para a França e, em 1890, tornou-se monge trapista – Ordem fundada no século XIX, na região da Trapa, na mesma França. Permaneceu nessa Ordem até 1897. Deixou-a por julgar que precisava ser ainda mais pobre que os monges franceses de então. A vida materialmente farta do mosteiro o desiludiu. Ele queria ser pobre como os pobres à moda de Jesus de Nazaré.

Por fim, depois de ser empregado das monjas Clarissas, em Nazaré, em uma vida eremítica, tornou-se sacerdote, em 1901, na França, mas voltou para Beni Abbes e depois Tamanrasset (Hoggar), na África, na condição de padre-eremita. Afastado, mas ao mesmo tempo integrado à vida daquele povo de maioria muçulmana era por eles tido como santo.

No dia 1º de dezembro de 1916, em meio a uma revolta popular, o eremitério, residência pobre do Irmão Charles, foi invadido e o eremita que fora militar, geógrafo, linguísta, antropólogo, teólogo e sacerdote, assassinado. O Papa Bento XVI o beatificou no dia 13 de novembro de 2005 e sua memória litúrgica é celebrada em 1º de dezembro.

A semente caída na terra gerou frutos. Hoje são mais de vinte as famílias leigas e religiosas que vivem seu modelo de seguir a Cristo. Dentre esses seguidores e seguidoras estão os (as) eremitas: homens e mulheres que optam pelo silêncio orante, mas não se esquecem da caridade para com o próximo nem se afastam da obediência à Igreja, por meio da aceitação do que lhes pede o bispo diocesano, dentro do carisma contemplativo vivido.

Pedidos de oração e contato com o Ir. Vanderlei de Lima são possíveis pelo e-mail: 

rezemos@zipmail.com.br

Informações: Ir. Vanderlei de Lima

Fotos: Remorini Fotografia

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Tirado do site Diocese de Amparo










O EREMITA DE MINAS


12/10/16

Eu já era sacerdote quando resolvi passar alguns dias em Minas Gerais. Fiz isso, depois, várias vezes. Não me recordo das datas, mas acho que foi no final dos anos setenta.
Peguei o ônibus e desci numa cidadezinha no meio do mato, poucos habitantes. Perguntei o caminho para o casebre do eremita meu amigo, que morava lá, e mo indicaram. Foram 6 km de caminhada, pouco mais de uma hora e meia. Era só subida!
Parei num casebre, cansado, e perguntei sobre ele. Disseram-me onde era sua cabana. Finalmente o encontrei. Ele veio encontrar-me no portão.
Casebre gostoso, com quatro cômodos, feito de madeira. Dois quartos, uma cozinha e uma capela. A sala era na cozinha. Fogão a lenha. Chuveiro frio, feito com uma lata de 20 kg, com a opção de tomar banho na vertente, vinda da montanha, água geladíssima, em pleno mês de janeiro.

Quatro horas da tarde. Ouvia-se os macaquinhos fazendo barulho na mata ali vizinha, e muitos bichos barulhentos. À medida em que avançava a noite, alguns silenciavam, outros começavam o barulho.
Voltei do banho na vertente, ajeitei minhas coisas numa cadeira no quarto de hóspedes e sentamo-nos na cozinha para pormos a conversa em dia. Eu conhecera o eremita num mosteiro, também em Minas, igualmente no alto de uma outra montanha. Ele ansiava, naquele tempo, viver como eremita e assim o fez.
Lembro-me com muito pesar que, numa de minhas visitas ao mosteiro, ao capinar uma área frontal como lazer, cortei inadvertidamente um pezinho de pinheiro que era o xodó do meu amigo. Recordamos esse fato e rimos.
Às cinco e meia nos recolhemos à capela e rezamos as Vésperas. A seguir, fomos à cozinha para jantar. Ele esquentou a comida que fizera no almoço, fez salada com folhas que ele mesmo plantara e fritou ovos. De sobremesa, uma marmelada feita numa fábrica ali perto.
Cansado que estava, recolhemo-nos aos nossos quartos cedo, lá pelas 20 horas, após rezarmos as Completas. Eu o ajudei a arrumar a cozinha.
Rezei o terço e logo fui dormir. Não quis gastar velas, e por isso não li nada. Lá não há energia elétrica.
Levantei-me às cinco horas, com o chamado do Irmão eremita. Como ele não era padre, eu celebrei a Santa Missa e continuamos com um momento longo de oração, leituras e meditação. Depois rezamos as laudes (oração da manhã), e após isso tudo fomos à cozinha para tomar café. Gostei do pão que ele fez, e do mel puro, que ele conseguia no sítio vizinho. O leite também era obtido no mesmo sítio.
Dormi a noite como havia tempos não dormia, apesar do barulho da bicharada da floresta.
Falei um pouco sobre a minha vida daquela época, de pároco de cidade grande (eu morava em São Paulo), e ele falou-me sobre a vida que levava ali. Visitava as famílias, sobretudo os pobres e doentes. Um (a) eremita não pode isolar-se da comunidade onde vive. De jeito nenhum!
Depois do café saímos para conhecer o lugar. Vi sua horta, seu pomar e as redondezas. Voltamos às 10 horas, rezamos o ofício das 9 hs e eu o ajudei a fazer o almoço. A mistura foi batata doce frita, pois ele não come carne.
Uma vida muito sacrificada, com muitas renúncias, o que levou-me a pensar se isso não o levaria a abandonar tudo algum dia. A gente consegue viver de modo sacrificado um certo tempo, e se tiver acompanhante(s), mais tempo. Entretanto, para viver sozinho é preciso muita vocação e determinação. Não são todos que aguentam.
Após o almoço fizemos uma sesta e visitamos um doente no sítio vizinho onde ele comprava o mel e o leite. O doente era o esposo da senhora que nos atendeu. Ele pagava tudo com capinagem e serviços afins, pois o dinheiro era artigo difícil naquelas paragens.
Na volta, ajudei-o a aguar as plantas e a mexer com uma e com outra, e só paramos às 15 horas, para a oração das 15 e comermos algumas frutas próprias daquele lugar.
No dia seguinte escalamos um monte nas cercanias. Gostei muito. Lá do alto se via  o horizonte montanhoso de Minas, um cenário magnífico.
À tarde voltei para a cidadezinha pelo caminho mais curto, de 4 km, ao lado do córrego formado pela vertente em que tomei banho, e consegui tomar o último ônibus.
Minha impressão foi de muita solidão, solidão dilacerante e perigosa. Acho que não dá certo morar assim tão sozinho. Esse meu amigo, uns três anos depois, acabou abandonando a vida eremítica e casou-se. Atualmente trabalha na prefeitura de uma cidade pequena, como assistente de educação.
Eu lhe escrevi várias vezes, mas percebi que aos poucos ele ficou muito diferente no tratamento. Já não havia mais aquela doçura espiritual de quando ele era monge eremita. Sua espiritualidade tornou-se um tanto materializada.
São Basíio, São Bento e Thomas Merton desaconselhavam a vida eremítica, dizendo que a cenobítica (em comunidade) era melhor. Precisamos viver e aprender a viver em comunidade, sem deixarmos, é claro, a vida de oração, e, se for de nossa vocação, uma vida de oração mais intensa.

Quero lembrar que Jesus não foi eremita todo o tempo. Passava longo tempo em oração, mas viva, como em Nazaré, em família, e depois com os discípulos. 

domingo, 16 de outubro de 2016

O TESTAMENTO DE JESUS


(out. 2016)
O comendador Justino (nome fictício), riquíssimo, deixou toda a sua imensa fortuna para os dois filhos e três filhas que tinha, mas colocou uma condição para que eles tivessem direito à herança: conviverem um determinado número de anos juntos, sem brigas, com amor, honestidade, sinceridade, sem esbanjamento, com muita pureza e simplicidade.
É certeza que eles vão fazer tudo para cumprirem essa cláusula, para “botar as mãos” na fortuna imensa do pai.
Ora, Jesus, na cruz, deu-nos por herança dois valores incalculáveis: sua mãe, Maria: (Eis tua mãe, eis teu filho), e a vida eterna.
Maria nos leva a Jesus, que nos oferece a vida eterna , mas exige algumas condições: oi amor a Deus e ao próximo. Amor com “A” maiúsculo, que inclui a caridade, a misericórdia, a comiseração, o perdão, a convivência pacífica, a sinceridade, a simplicidade, a partilha, a pureza de coração etc.
Penso que o valor dessa herança deixada por Jesus, na cruz, é superior a qualquer quantia em dinheiro. Mas tenho certeza de que não temos tanto empenho em lutar contra nós mesmos para ganhar a vida eterna como teríamos para ganhar uma fortuna em dinheiro.

Hoje é 12 de outubro, dia de N. Sra. chamada com o nome de Aparecida, essa mãe tão terna que nos leva a Jesus pelo caminho da simplicidade, da convivência terna, pacífica, misericordiosa, entre nós. Cabe a nós levarmos a sério as exigências de Jesus e, um belo dia, nos encontrarmos todos lá no céu.

ESCRITO NO CÉU


(outubro 2016)
Em Lucas 10,17-24), Jesus diz aos setenta e dois discípulos para se alegrarem não por eles poderem vencer os demônios ou pisar em cobras e escorpiões, mas porque seus nomes estão escritos nos céus. Como fazer para ter o nome escrito no céu?
O Cônego Celso Pedro da Silva, nosso amigo, na agenda bíblica de 2016, comenta esse trecho no dia 01/10, contando que o Dom Luciano Mendes de Almeida, bispo famoso de São Paulo, estava concelebrando a missa em rito oriental, muito mais solene que o nosso rito latino, com toda aquela pompa, na Ucrânia, na cidade de Kiev, presidida pelo Metropolita (o bispo da cidade).
Uma criança não se comportava, “escapava da mãe, tentava entrar no espaço fechado do altar oriental: a criança corria, a mãe corria, a missa longa, todos em pé. Dom Luciano, sentado na entrada do altar, pegou a criança” e a segurou nos braços. (Penso naqueles homens rudes pasmos por vê-lo fazer isso, indignados com a criança e a mãe).
Terminada a missa, a criança correu pra a mãe e a mãe gritou para D. Luciano: “Teu nome está escrito no céu”! Conclui o Cônego: “Eis o que escreve o nosso nome no céu”!
Lembro outro fato ocorrido com ele: na assembleia dos bispos, muitas vezes ele ficava no salão varrendo o chão para as reuniões do outro dia, sem ninguém ver (Se eu estou contando isso, é porque um dia alguém viu).
Meditando sobre isso, tentemos perceber em nossa vida fatos que permitiram ter o nosso nome escrito no céu, baseado nesse comentário do Cônego Celso Pedro!
Você vai ver como muitas vezes atos até impensados de caridade foram mais fortes para que o nosso nome esteja escrito no céu, do que outros, aparentemente santos, mas que foram feitos com arrogância, ou para “cumprir tabela”, ou porque não havia um jeito de escapar daquilo, ou feitos sem amor, apenas por pura obrigação.
São os pequenos gestos que nos aproximam de Jesus, como o fez Santa Teresinha, que comemoramos nestes dias (2/10). Para termos nosso nome escrito no céu, é preciso amarmos como Jesus amou, como Jesus nos ama.


VIDA ANACORÉTICA OU CENOBÍTICA?


(Set. 2016)

Paulo Donizeti Siepierski, em seu livro “A leitourgia libertadora de Basílio Magno”, ed. Paulus, 1995, diz, à página 43, que “Embora tivesse florescido na última parte do século 3º, no início do século 4º, o monasticismo pode ter suas origens traçadas pelo menos até o profeta Elias, quase mil anos antes”.
Nos séculos 3º e 4º havia muita escravidão social e econômica nas cidades e nos campos, muita cobrança de impostos, muita exploração por conta do governo, e as pessoas “fugiam” do mundo civilizado e iam para o deserto, principalmente sob a perseguição promovida por Diocleciano.
“Os pobres e às vezes comunidades inteira retiravam-se para o deserto ou para os pântanos, para escapar da opressão” (pág 44).
A palavra usada para descrever essa retirada para o deserto era “anacoresis” e daí vem a palavra “anacoreta”, pessoa eremita.
“A obediência aos mandamentos do Senhor leva a um monasticismo claramente marcado pelo espírito de pobreza e simplicidade, pelo senso de serviço aos outros através de tarefas humildes, pelo trabalho árduo para ganhar a comida (...) e para estender nossas mãos aos pobres,(...) pelo ascetismo rude, inspirado somente pelo amor de Cristo, e as reivindicações de seus mandamentos, por oração contínua nutrida pela meditação nas palavras da Escritura, por algumas observâncias, também marcadas pela influência do evangelho” (Julien Leroy, citado à página 45 ).
São Basílio Magno (329-379), São Bento (480-547) e Thomas Merton (nasc.31/01/ 1915, Prades, França; Falecimento: 10/12/1968, Banguecoque, Tailândia), diziam que a vida cenobítica (=vida comunitária) é superior à vida anacorética (=vida solitária, eremítica), pois precisamos estar em contato com outras pessoas para exercitarmos o amor cristão (a Deus e ao próximo), em que nossos erros são apontados e vençamos a nossa autossuficiência. “Precisamos uns dos outros” (S. Basílio).
Portanto, quem quiser dar uma de eremita, nunca abandone a comunidade, paroquial ou de outra espécie, a que pertence.


MOMENTOS DE DESERTO

MOMENTOS DE DESERTO
(Setembro 2016)

As fraternidades Jesus-Cáritas, baseadas no carisma do Beato Carlos de Foucauld, têm, em seu diretório, a orientação para que todos os seus membros façam um dia mensal de deserto.
Eu, pessoalmente, sempre tive uma dificuldade imensa de fazer o dia todo de deserto e, sinceramente, não acho tão relevante que seja o dia todo. Prefiro fazer, mais vezes, momentos de deserto, com duração de uma ou duas horas, ou mesmo a metade de um dia. Acho mais produtivo!
Quanto a fazer o dia todo, das 8 às 16 hs, por exemplo, poderia ser feito nos dias de retiro e de assembleia das fraternidades e um dia por semana no mês de Nazaré.
Será que os membros das fraternidades fazem um dia de deserto mensalmente, como reza a regra? E, se há dificuldade, por que não fazê-lo em menos tempo, mas fazê-lo?
Minhas ações, atualmente, são muito limitadas, mas procuro fazer pelo menos a manhã de deserto aos sábados, e isso tem-me ajudado muito, nos últimos treze anos. Eu emendo o momento de deserto com a Hora Santa.
Não consigo me isolar do barulho de onde moro, nem ficar sozinho, mas o próprio Jesus teve que se acostumar a isolar-se mesmo no meio de muitas pessoas e confusão, como lemos em Lucas 9,18: “Estando Jesus orando A SÓS, no MEIO dos discípulos...” Ou seja, ele lse isolou apenas mentalmente, mas continuou materialmente no meio da multidão.
Acredito que seja uma solução para os que não encontram um dia todo para isolar-se no dia de deserto, principalmente porque os momentos de deserto podem ser feitos mais amiúde. Quem é novo na área, veja o dia de deserto nestes links:  deserto, lugar de encontro com Deus;                 experiência do desertoo silêncio e a solidão;   o dia de deserto


sábado, 15 de outubro de 2016

ELOGIO DA SOLIDÃO

Por: Monge Luciano Manicardi
Comunidade Monástica de Bose, Itália

Depois de ter vivido a experiência de duas semanas passadas num lugar retirado sem a possibilidade de ligar-se à internet, a escritora britânica Ruth Thomas publicou as suas reflexões sobre a perda da capacidade de estar em solidão a que nos conduz a vida contemporânea, marcada pelas conexões em rede, mas também sobre o prazer de redescobrir a riqueza e a potencialidade inerente à solitude. Viver alguns dias sem telefone e sem internet é hoje uma experiência excecional, com dimensões antropológicas e espirituais relevantes. Ruth Thomas afirma que lhe parecia estar a viver num tempo passado, noutra época, duzentos anos antes.
O binómio "solidão - 'ocium'" é amplamente atestado na Antiguidade clássica. Um passo do "De officiis", do célebre sábio e cônsul romano Cícero, diz: «Marco, meu filho: de Públio Cipião, que em primeiro lugar teve o sobrenome de Africano, Catão, que era mais ou menos seu coetâneo, conta que era habitual dizer que ele nunca era menos ocioso do que quando era ocioso, nem menos só do que quando estava só». Expressão verdadeiramente esplêndida e digna de um homem grande e sábio: ela diz que também no tempo livre ("in otio") pensava nos negócios públicos ("de negotiis") e em solitude ("in solitudine") falava consigo próprio, e por isso nunca era ocioso e não sentia a necessidade de alguém com quem conversar. Desta forma, ociosidade e solitude ("otium et solitudo"), estas duas coisas que paralisam os outros, a ele, pelo contrário, estimulavam-no. Obviamente, o significado de "otium" e "otiosus" não tem aqui nada de negativo, antes indica o tempo do retiro, o tempo dedicado ao estudo, ao pensar, ao refletir, à atividade espiritual. Santo Ambrósio de Milão realizará uma refundação bíblico-cristã desta dupla terminológica. O bispo de Milão aplicou a si mesmo a expressão ciceroniana: «Com efeito, nunca sou menos só do que quando parece que esteja só, nem menos ocioso do que quando parece que seja ocioso». Silêncio, solidão, tranquilidade eram considerados por Ambrósio elementos de fecundidade e de eficácia também no exercício do seu ministério episcopal.
Diante da dificuldade de viver a solidão e de estar sem fazer nada, é preciso, portanto, creio redescobrir a antiga e sempre nova virtude do "otium". No atual contexto de idolatria da comunicação, somos subjugados por demasiada informação, que não sabemos elaborar. Seria preciso um movimento de "tomada de distância de si". É um movimento de resistência individual, um ato de subversão solitária.
A ideia da recuperação e da valorização da noção de "otium" é precisamente dirigida à recuperação de uma sabedoria que hoje está perdida. Como já escrevia santo Agostinho, «o meu "otium" (tempo livre) não é destinado a cultivar a preguiça, mas a alcançar a sabedoria». E Agostinho dizia isto a partir da lição bíblica: «O letrado adquire a sabedoria, no tempo em que está livre de negócios; por isso, aquele que tem poucas ocupações pode chegar a ser sábio» (Ben Sira 38, 24). Ter tempo, dar-se tempo, para poder habitar consigo próprio. De outro modo o risco da nossa incapacidade de solitude é que os nossos corpos se tornem não-lugares, lugares não habitados, lugares sem alma, lugares só de passagem de emoções e flash, de sons e rumores, sem princípio nem fim.
A ideia de "otium", a expressão "vacare Deo" (ter tempo livre para Deus), tornam-se elementos típicos da experiência monástica, experiência que desenvolve particularmente a dimensão solitária, e que, todavia não cria uma vida de privilegiados, mas funde "otium" com a atividade laboral intensa e quotidiana.
Em síntese, o "otium", se é virtuoso, deve afastar de si toda a forma de "otiositas". Sem o cansaço do trabalho manual e intelectual, com efeito, o monge não poderia alcançar aquele distanciamento do mundo, dos próprios pensamentos e desejos que lhe permite alcançar a paz interior e, portanto, a contemplação de Deus. Em suma, o "otium" é um bem na medida em que vê trabalho, fadiga, esforço e aplicação. Um "otium negotiosum" (um ócio laborioso, uma inatividade operativa) como gostam de repetir os monges, e também "negotiosissimum" (laborosíssimo), como especifica S. Bernardo. O "otium" é a possibilidade da solidão positiva, da solidão da alma. E talvez o retomar da atitude espiritual do "otium" possa fazer bem também a nós, hoje, que vivemos uma relação conflitual com o tempo e frenética com o fazer. Mas aqui coloca-se a pergunta: sabemos estar sem fazer nada? Sabemos habitar a atitude positiva, não indolente, mas eficaz, do não fazer?
A fadiga do "otium" está no dedicar-se ao trabalho mais difícil e mais necessário do homem: conhecer-se a si mesmo. O "otium" permitir-nos-ia aprofundar a noção de vida interior e, sobretudo de desenvolver a prática. Prática que conhece muitos movimentos que precisam ser aprofundados e analisados (tomar atenção, vigiar, interrogar-se, pensar, discernir, decidir, etc.), mas aqui limito-me a elencar as três atitudes de fundo que se apresentam ao homem que decide entrar na vida interior ou, se quisermos, de dar espaço ao "otium" na sua existência. São os movimentos contidos num apotegma de Arsénio, um padre do deserto: «Foge, faz silêncio, sê tranquilo: destas raízes nasce a possibilidade de não pecar». Ou seja, procura conscientemente a solidão, vive o silêncio como ação interior, persegue a paz interior. Trata-se de uma ação fatigante, que exige um esforço, que convoca as energias interiores e espirituais da pessoa para um fim preciso, e que consente ao homem sair da atitude "viciosa", isto é, dos maus hábitos, da tirania dos hábitos que nos agitam e nos tiram liberdade e responsabilidade. O hábito, escreve o filósofo latino Séneca, «imobiliza as coisas» e paralisa também a pessoa. O resultado desta ascese, isto é, desta escolha consciente do essencial, é o sentido acrescido de integridade pessoal (1).
O ínclito eremita francês Charles de Foucauld relata sua meditação: “Quero passar sobre a terra de maneira obscura como um viajante à noite. Viver na pobreza, na abjeção, no sofrimento, na solidão, no abandono para estar na vida com o meu Mestre, o meu Irmão, o meu Esposo, o meu Deus, que viveu assim toda a sua vida e me dá  esse exemplo desde o nascimento”. (Meditações sobre o Evangelho). (2).
CONCLUSÃO
A práxis do silêncio, solidão, deserto e toda ascese desse contexto, é a abissal vida espiritual com a bênção da celestialidade que não existe palavras para uma explicitação desse estado de graça. O amor desse estado de vida, a fé, a esperança e o poder de Deus são fundamentos da vivência da via contemplativa. A simbiose da gloriosa felicidade, a busca ardente do silêncio, oração, intercessão, estudo da Sagrada Escritura,  jejum e visões, são atitudes alimentares da alma, saúde emocional e equilíbrio para o corpo. Os atos praticados de tais virtudes solidificam a caminhada na profundidade de comunhão com Deus, consigo mesmo e com o próximo. A idiossincrasia dessa abençoada jornada  é sublime, caridosa e tomada de uma vontade infinita de paz, de serenidade e de santificação. A solidão do deserto é a companhia da Santíssima Trindade, dos anjos, dos santos e dos mistérios revelativos! Aqui há confidencialidade eremítica.
Hoje mais do que nunca, a vida tem sentido na dimensão da espiritualidade do silêncio. A falação, o barulho, a poluição visual e a perigosa companhia de certas pessoas, são armas que assassinam muitas vidas. A sabedoria do silêncio é o tesouro dos sábios. Quem fala pouco, ou seja, o necessário, e fala para edificação é ser intelectual. O silencioso vive no conhecimento da escola de São José e de Maria de Nazaré. O silêncio é o livro de ouro dos sábios. Quanto mais se aprende a viver em silêncio, mais profundo se torna o discípulo da Sagrada Família. Nosso relacionamento com a solidão é o livramento de tudo que pode ofender o espírito e a matéria. Depositamos a nossa confiança em Deus em nós mesmos com a força do silêncio. Viver verdadeiramente é viver livremente para amar o bom Deus, o nosso “eu” e o nosso semelhante na infinidade do tempo graciosamente silencioso. Em tudo na adoração e louvor angelical!
Crescer na graça, na misericórdia e no conhecimento de Jesus Cristo, configurados na riqueza do silêncio e da solidão, tendo como pedagogo o Espírito Santo para que o nosso progresso espiritual seja sempre renovado, avivado e reavivado.
Pe. Inácio José do Vale
Professor, Sociólogo e Conferencista
Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas
Irmãozinhos da  Visitação de Charles de Foucauld

 Notas:
(2)https://fraternidadecharlesdefoucauld.wordpress.com/2016/01/05/o-deserto-de-charles-de-foucauld/

IMITANDO VERÔNICA


(set 2016)
Ao meditar a Via Sacra deparei-me com uma coisa que resolve muitas de nossas dúvidas: se não podemos evitar a crucifixão de Jesus, como os que acreditaram nele e o seguiram na Via Crucis, pelo menos imitemos Verônica, enxugando seu rosto, confortando-o na caminhada para o Calvário.
Todos estamos também carregando a nossa cruz, seguindo Jesus, ao atendermos seu pedido: “Quem quiser vir após mim, pegue sua cruz e me siga!”(Mateus 16,24). Ele não disse: “Vá à minha frente”, ou “Vá ao meu lado”, ou mesmo “Vá em meu lugar”. Ele disse: ‘Venha após mim e me siga”! Ele abriu-nos o caminho, ele foi à nossa frente. É como a mãe que come uma colherada da sopinha que está dando ao filho para que ele veja como é gostosa e vai-lhe fazer bem.
Jesus disse, também, que se quisermos fazer-lhe algo, façamos ao pobre, ao necessitado. Aí está a nossa resposta: enxugamos o rosto de Jesus quando enxugamos os de nossos irmãos e irmãs desamparados.
Como fazer isso?
Ora, há tantos que sofrem por aí, aos quais nada podemos fazer além de consolar, confortar, diminuir os sofrimentos. Por exemplo, os doentes incuráveis. Tenho um amigo testemunha de Jeová que está com câncer e a quimioterapia está fazendo muito mal a ele. Eu sempre lhe digo: “Peça à Mãe que o Filho atende”! Ele sorri, mas eu sei que ele talvez nunca faça isso. Se fizesse, talvez Maria conseguisse para ele a graça da cura.
Se esperarmos o “poder” de curar todo mundo, tirar todos da miséria, reunir os separados, nada faremos! Nunca o conseguiremos!
Portanto, mãos à obra! Não hesitemos em animar os desanimados, dar algo para o faminto comer, dar um abraço nos solitários e tristes, chorar com os que choram... São Paulo não nos pede para fazer calar os que choram, mas sim, nos pede para chorar com eles! (Romanos 12, 15).
Sobretudo, que tal aprendermos a ouvir? Somos acostumados a falar sem ouvir! Quando alguém nos fala sobre sua dor de perna, em vez de o ouvirmos e nos condoermos, logo conseguimos encontrar em nós mesmos alguma outra dor maior do que a dor de perna dele e a comentamos!
O correto seria ouvir a pessoa, comentar a dor de perna dele, e, se fosse o caso, aí, sim, poderíamos exemplificar o fato com a nossa dor.
Muitas vezes a pessoa não quer soluções, mas apenas alguém para ouvir as suas queixas, alguém para desabafar suas mágoas! Só pelo fato de o (a) ouvirmos, ele (ela)sentirá uma melhora em seu problema.
Ser como Verônica! Ela não podia evitar a morte de Jesus, mas confortou-o com o que tinha às mãos: um pedaço de pano, segundo a bela tradição oral, recebeu a marca do rosto de Jesus.

Confortando os que precisam de um conforto, estaremos recebendo a marca da face de Cristo em nossa mente e em nossa alma, e isso nos dará a força necessária para pegarmos novamente nossa cruz, se a deixamos cair, e seguir Jesus no caminho do Calvário que, na verdade, é o caminho da Salvação. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

QUASE SEM RIMAS

(01/09/15)

O vento que me acaricia a face
leva consigo minhas tensões...
Sinto-me caminhando nas nuvens,
Deus me envolve totalmente.

A tarde amena, quase no final,
sacia minha sede de amor,
me une a esse Deus tão maternal,
que me ama com ardor.

Abandono o passado, ignoro o futuro,
tudo o que eu vejo é o agora salutar.
A alegria toma conta do meu íntimo,
mas não a quero revelar!

Quero capturá-la qual perfume,
com ela untar todo o meu corpo,
lubrificar as dobradiças de minha mente,
massagear o coração!

Meu universo se abre à minha frente,
muito maior que o pátio em que estou.
Vejo-me sozinho em meio a tanta gente,
como eremita, a quem nada mais restou!

Minha solidão me faz feliz,
porque nunca estou sozinho!
“Estou contigo!”- Deus me diz,
e a vocês todos, eu os encontro pelo caminho!

NÃO AO ESTILO DE VIDA DOS RICOS



“Mas ai de vós ricos, porque tendes a consolação agora” (Lc 6,24).



Provavelmente muitos dos que leem esta mensagem vivem em casas com água encanada e eletricidade, possuem os eletrodomésticos básicos e pelo menos um carro e um computador. Alguns podem ter uma segunda casa na praia ou no campo, um barco de pesca e condições financeiras favoráveis.

Assim, quando Jesus fala “Ai de vós ricos” (Lc 6,24), é fácil não darmos a devida atenção e pensarmos: “Jesus não pode estar falando de mim. Eu não sou rico, só tenho o que a maioria tem”. Entretanto, esta comparação não está correta, pois se for para fazê-la, devemos nos comparar com aqueles a quem Jesus dirigiu essas palavras. Nenhuma daquelas pessoas que tinham vindo de longe para ouví-Lo e ser curadas por Ele (Lc 6,17) possuía casa com água encanada e eletricidade, nem um bom colchão para dormir. Mesmo os ricos daquela época que pudessem estar entre a multidão, jamais imaginariam o estilo de vida que até os mais simples de hoje podem ter. E apesar de tudo isso, Jesus considerou importante alertar seus contemporâneos para o estilo de vida dos ricos: “ Aqui vos dou apenas um conselho sobre esta questão da riqueza e da pobreza” (2Cor 8, 1-10).

Jesus, hoje, é o mesmo daquele tempo (Hb 13,8), e, nós, hoje, por seus padrões, somos ricos. Portanto, o alerta que Jesus fez serve, sim, para nós, e não devemos, de maneira alguma, desconsiderar as palavras Dele. Jesus é Senhor e Juiz, e Sua palavra deve fazer-nos tremer. (Is 66,2). Por isso, devemos adotar um estilo de vida ditado por Seus valore e não pelos valores do mundo.

Está na hora de nos arrependermos por não simplificarmos nossas vidas e não nos ajustarmos às diretrizes do reino de Deus. Tenhamos muito cuidado com as posses materiais. Estas são ferramentas para prática da caridade. Em tudo, sejamos solidários (1).



Charles de Foucauld



Escreveu o grande místico, o eremita do deserto Saara Charles de Foucauld: “Não quero passar minha vida em primeira classe, enquanto Aquele que me ama a passou na última”. “Meu Senhor Jesus, como depressa ficará pobre aquele que, amando-Te de todo o coração, não pode suportar ser mais rico que seu bem-amado... Meu Deus, não sei se é possível para alguém, ver-Te pobre e continuar rico como antes...” (Meditações sobre o Evangelho).



Papa Francisco: triste ver padres e bispos apegados ao dinheiro

“Bispos e sacerdotes vençam a tentação de “uma vida dupla”, a Igreja deve servir aos outros e não servir-se dos outros”. Esta é uma das passagens da homilia do Papa Francisco na manhã de sexta-feira (06/11/2015), na Casa Santa Marta. O Pontífice chamou atenção para os “carreiristas, apegados ao dinheiro”. “Também na Igreja, há aqueles que em vez de servir, de pensar nos outros, de estabelecer as bases, se servem da Igreja: os carreiristas, os apegados ao dinheiro. E quantos sacerdotes, bispos vimos assim. É triste dizer isso, não? A radicalidade do Evangelho, do chamamento de Jesus Cristo: servir, estar ao serviço de, não parar, ir ainda mais longe, esquecendo-se de si mesmo. E o conforto do status: eu atingi um status e vivo confortavelmente sem honestidade, como os fariseus de que fala Jesus, que passeavam pelas praças, para serem vistos pelas pessoas” (2).

De forma contundente afirma o Papa Francisco: “O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia” (3).

Disse Jesus: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19,23.24).

Pe. Inácio José do Vale

Professor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld



Notas:
(1) (UM PÃO, UM CORPO, 10/09/2009, p.46).