segunda-feira, 15 de agosto de 2016

QUASE SEM RIMAS

(01/09/15)

O vento que me acaricia a face
leva consigo minhas tensões...
Sinto-me caminhando nas nuvens,
Deus me envolve totalmente.

A tarde amena, quase no final,
sacia minha sede de amor,
me une a esse Deus tão maternal,
que me ama com ardor.

Abandono o passado, ignoro o futuro,
tudo o que eu vejo é o agora salutar.
A alegria toma conta do meu íntimo,
mas não a quero revelar!

Quero capturá-la qual perfume,
com ela untar todo o meu corpo,
lubrificar as dobradiças de minha mente,
massagear o coração!

Meu universo se abre à minha frente,
muito maior que o pátio em que estou.
Vejo-me sozinho em meio a tanta gente,
como eremita, a quem nada mais restou!

Minha solidão me faz feliz,
porque nunca estou sozinho!
“Estou contigo!”- Deus me diz,
e a vocês todos, eu os encontro pelo caminho!

NÃO AO ESTILO DE VIDA DOS RICOS



“Mas ai de vós ricos, porque tendes a consolação agora” (Lc 6,24).



Provavelmente muitos dos que leem esta mensagem vivem em casas com água encanada e eletricidade, possuem os eletrodomésticos básicos e pelo menos um carro e um computador. Alguns podem ter uma segunda casa na praia ou no campo, um barco de pesca e condições financeiras favoráveis.

Assim, quando Jesus fala “Ai de vós ricos” (Lc 6,24), é fácil não darmos a devida atenção e pensarmos: “Jesus não pode estar falando de mim. Eu não sou rico, só tenho o que a maioria tem”. Entretanto, esta comparação não está correta, pois se for para fazê-la, devemos nos comparar com aqueles a quem Jesus dirigiu essas palavras. Nenhuma daquelas pessoas que tinham vindo de longe para ouví-Lo e ser curadas por Ele (Lc 6,17) possuía casa com água encanada e eletricidade, nem um bom colchão para dormir. Mesmo os ricos daquela época que pudessem estar entre a multidão, jamais imaginariam o estilo de vida que até os mais simples de hoje podem ter. E apesar de tudo isso, Jesus considerou importante alertar seus contemporâneos para o estilo de vida dos ricos: “ Aqui vos dou apenas um conselho sobre esta questão da riqueza e da pobreza” (2Cor 8, 1-10).

Jesus, hoje, é o mesmo daquele tempo (Hb 13,8), e, nós, hoje, por seus padrões, somos ricos. Portanto, o alerta que Jesus fez serve, sim, para nós, e não devemos, de maneira alguma, desconsiderar as palavras Dele. Jesus é Senhor e Juiz, e Sua palavra deve fazer-nos tremer. (Is 66,2). Por isso, devemos adotar um estilo de vida ditado por Seus valore e não pelos valores do mundo.

Está na hora de nos arrependermos por não simplificarmos nossas vidas e não nos ajustarmos às diretrizes do reino de Deus. Tenhamos muito cuidado com as posses materiais. Estas são ferramentas para prática da caridade. Em tudo, sejamos solidários (1).



Charles de Foucauld



Escreveu o grande místico, o eremita do deserto Saara Charles de Foucauld: “Não quero passar minha vida em primeira classe, enquanto Aquele que me ama a passou na última”. “Meu Senhor Jesus, como depressa ficará pobre aquele que, amando-Te de todo o coração, não pode suportar ser mais rico que seu bem-amado... Meu Deus, não sei se é possível para alguém, ver-Te pobre e continuar rico como antes...” (Meditações sobre o Evangelho).



Papa Francisco: triste ver padres e bispos apegados ao dinheiro

“Bispos e sacerdotes vençam a tentação de “uma vida dupla”, a Igreja deve servir aos outros e não servir-se dos outros”. Esta é uma das passagens da homilia do Papa Francisco na manhã de sexta-feira (06/11/2015), na Casa Santa Marta. O Pontífice chamou atenção para os “carreiristas, apegados ao dinheiro”. “Também na Igreja, há aqueles que em vez de servir, de pensar nos outros, de estabelecer as bases, se servem da Igreja: os carreiristas, os apegados ao dinheiro. E quantos sacerdotes, bispos vimos assim. É triste dizer isso, não? A radicalidade do Evangelho, do chamamento de Jesus Cristo: servir, estar ao serviço de, não parar, ir ainda mais longe, esquecendo-se de si mesmo. E o conforto do status: eu atingi um status e vivo confortavelmente sem honestidade, como os fariseus de que fala Jesus, que passeavam pelas praças, para serem vistos pelas pessoas” (2).

De forma contundente afirma o Papa Francisco: “O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia” (3).

Disse Jesus: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19,23.24).

Pe. Inácio José do Vale

Professor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld



Notas:
(1) (UM PÃO, UM CORPO, 10/09/2009, p.46).

segunda-feira, 9 de maio de 2016

NOVO BLOG

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domingo, 8 de maio de 2016

O IRMÃOZINHO PRESO


 20/04/16- 

Os Irmãozinhos de Jesus são um grupo de homens que vivem a pobreza segundo a concebeu o Beato Irmão Carlos de Foucauld. Por causa dessa pobreza radical, têm poucos seguidores.

Um deles, francês erradicado no Brasil, no Nordeste, vivia entre os mendigo de rua, confortando-os, ajudando-os, animando-os, lutando com eles para que não desanimassem nem perdessem o sentido da vida.

Certo dia foi preso, acusado de vadiagem. Ele nem sabia o porquê. Acharam que ele era traficante ou coisa desse tipo. O Irmãozinho de Jesus entrou na prisão da delegacia, onde havia outros tantos na mesma cela.

Que tristeza sentiu ao ver as condições em que estavam! Logo começou a puxar conversa com eles, a lhes confortar. Num dado momento sentou-se num canto da cela e colocou-se em oração profunda, contemplativa.

Isso os tocou profundamente. Quando o Irmãozinho voltou ao convívio, eles é que foram falar com ele, pois perceberam que ali estava um homem de Deus, percebiam nele muita segurança e paz.

Muitos eram analfabetos, e todos tinham histórias parecidas: infância vivida em lugares imorais, filhos de prostitutas, outros, nascidos em lugares insalubres, sujos, quase sem condições de vida. Ele pensou: “Se eu tivesse nascido num ambiente desses, talvez fosse pior do que eles”!

O Irmãozinho começou a lhes falar do amor de Deus e ao próximo, da amizade, do relacionamento fraterno, da luta contra o ódio, contra o sentimento de vingança, contra a violência. Falou-lhes da paz e das maravilhas que poderiam perceber no amor de Jesus e Maria.

No dia seguinte, de manhãzinha, abriram a cela e o chamaram: o colega de congregação do Irmãozinho trouxera seus documentos e mostrou ao delegado a situação evangélica deles. O delegado disse-lhe que ele poderia voltar para casa. Estava livre!

O Irmãozinho olhou para a porta da rua, olhou para o interior da delegacia, e não pensou duas vezes: pediu para ficar mais dois dias com os presos, para “terminar o papo”. E o delegado permitiu. ele saiu de lá dois dias depois, sorridente e satisfeito por ter partilhado aquele sofrimento com os presos e dado a eles uma esperança de vida nova.

Uma coisa, porém, é certa: aqueles pobres coitados nunca mais foram os mesmos. Que pena me dá não poder acompanhar suas histórias, o que aconteceu com eles, como viveram a vida pós-prisão! Tenho certeza, entretanto, que não foram as mesmas que seriam se eles não tivessem se encontrado com esse santo homem.


Infelizmente eu me esqueci do nome dele, mas sei que faleceu com mais de 80 anos, a maior parte dedicada aos irmãos sofredores!

O SERMÃO DA MONTANHA


 OS ENSINAMENTOS DO SERMÃO DA MONTANHA
13/04/16
Eu tentei resumir os ensinamentos de Jesus no Sermão da Montanha, capítulos 5,6 e 7 de São Mateus, como segue:

CAPÍTULO 5:

1- Jesus Cristo fala do Monte, como um novo Moisés, ao dar aos hebreus, no Sinai, os 10 mandamentos.

2- Precisamos aprender a ser pobres em espírito, ou seja, humildes, simples, caridosos, acolhedores, mansos, afligir-nos com os males alheios, buscarmos a misericórdia, a honestidade nos relacionamentos, a sermos pacíficos, mesmo se formos perseguidos pelo nosso bom comportamento.

3- Devemos ser modelos de santidade, ou seja, sal da terra e luz do mundo, pessoas que servem de segurança e apoio aos indecisos e desanimados, para que se levantem.

4- Devemos obedecer a lei, mas sempre com caridade no coração, para não levar tudo “ a ferro e fogo”.

5- Ir além do que os mandamentos nos ordenam. Não basta não matar: é preciso também não odiar; não basta não adulterar; é preciso, também, manter-se sempre casto, ou totalmente, ou dentro da realidade de nosso matrimônio. Também em vez de deixar de cumprir juramentos feitos, o melhor é não fazer nenhum. Não só não odiar, mas também não deixar nenhum resquício de vingança no coração. Não só amar o próximo, mas a todos, mesmo os que não nos são próximos, até os próprios inimigos.

CAPÍTULO 6:

6- Não praticar a caridade, o jejum e a oração, para sermos vistos e aplaudidos, mas apenas por amor.

7- Rezar sempre o Pai-Nosso, perdoando aos que nos ofenderam, para também sermos perdoados.

8- Nosso verdadeiro tesouro é Jesus e não as riquezas. A simplicidade no modo de viver nos traz a ajuda e a presença intensa de Deus em nossa vida.

9- Vigiar sempre, principalmente o olhar, para que o corpo ou a mente não cobice o que os olhos viram.

10- Abandonar-se à Divina Providência. Deus cuida de nós e nos dará tudo o que necessitamos, se a ele nos confiarmos, se a ele confiarmos nossa vida e nossos projetos, submetendo-nos totalmente à sua santa vontade.

CAPÍTULO 7

11- Nunca julgar ninguém. Julgar é pôr má intenção no que o outro falou ou fez. Criticar positivamente um erro cometido e visível, não é criticar. Exemplo: meu filho quebra um copo. Julgar é dizer que ele fez aquilo de propósito. Criticá-lo, ajudando-o, é ensinar-lhe a pegar corretamente o copo para não ocorrer mais acidentes, ou substituir o copo de vidro por uma linda caneca de plástico...

12-Não dar aos cães o que é sagrado significa não insistir em mostrar as maravilhas de nossa religião (ou coisas de aspecto religioso e piedoso) aos que só querem debochar. ficar quieto, às vezes, é a melhor saída aos deboches. Rezemos por essas pessoas que conspurcam tudo o que é sagrado.

13- Cuidar bem do que é sagrado. Só como exemplo, não jogar no lixo imagens ou objetos que foram bentos. Se não estão mais em boas condições, queime-os ou os reduza-os a pó. Também a Eucaristia, cuidar bem das Sagradas Espécies, nunca contar piadas sobre nada que seja religioso. A Sagrada Hóstia é o próprio Jesus!

14- A oração sempre é atendida, de uma forma ou de outra. Se não for atendida no modo como pedimos, Deus vai nos dar o que Ele acha que é melhor, não tanto para a nossa vida, mas para a nossa salvação.

15- Tudo o que você gosta que lhe façam, afora o pecado, faça também aos outros.

16- Há dois caminhos à nossa frente: o do mal (geralmente o mais fácil e confortável) e o do bem (o aparentemente mais estreito e difícil). Siga o do bem, o da luz, o que Jesus nos indicou!

17- Não se engane com os falsos profetas. Confie plenamente naquilo que a Igreja Católica lhe ensina. Foi Jesus que a fundou, na pessoa de Pedro, nosso primeiro papa, e dos apóstolos, continuados na história pelos nossos bispos.

18- Construa a sua vida (=casa) não sobre a areia (=falsos valores humanos), mas sobre a rocha (Jesus Cristo e seus ensinamentos.


Espero que isto tenha ajudado a você a compreender melhor os ensinamentos de Jesus!

sábado, 26 de março de 2016

ILUSÃO E REALIDADE



03/02/16

Neste mundo vivemos entre a ilusão e a realidade. O perigo é vivermos a ilusão e descartarmos a realidade!

A primeira realidade que vejo é que vamos viver um número limitado de anos aqui na terra. A ilusão é acharmos que isto tudo é a realidade e que não existe uma vida após esta. Então, o que a pessoa faz é buscar desesperadamente ser “feliz” nesta vida, a qualquer custo. Exemplo: essas pessoas que roubaram a mais não poder, no governo e na sociedade. Todos vão morrer algum dia e deixar aqui tudo o que roubaram. O que vão apresentar a Deus? Diz São Francisco de Assis que nós só vamos levar para o céu que partilhamos, o que damos. O que recebemos, vai ficar por aqui. Uma camisa que você doa, você vai levar esse mérito para lá. Uma camisa que você ganha, vai com você no caixão ou vai ficar por aqui mesmo. 

Uma das ilusões é justamente a riqueza. Ela atrai e pode perverter. Se a riqueza fosse uma realidade em relação à felicidade, Jesus nasceria numa família rica. Ele mostrou que uma vida simples, sem muitas coisas, como a que ele viveu, é a realidade que nos salva e nos satisfaz.

Se riqueza trouxesse felicidade, os ricos não cometeriam suicídio. Não é isso que vemos! Quantos ricos se mataram com remédios e drogas, ou mesmo tirando a própria vida! Quantos pobres cometem suicídio? Garanto que o número é bem menor do que o dos ricos!

Jesus não nos pede para viver na miséria. Ele propõe uma vida simples, sem muitas necessidades, sem muitas ilusões.

Outra realidade que vejo é a caridade, a misericórdia. Não importa o que ou como as pessoas vivem. Nós vamos ajudá-las a serem felizes. Isto é a realidade, que nos levará à realidade maior, o céu. Mas não nos esqueçamos de mostrar a elas a vida mais de acordo com o evangelho. Caso contrário, a ajuda material não terá muito sentido. Dar o pão material, mas sem esquecer o espiritual. Mais do que “dar o pão”, deixar aquela família em condições de poder comprar o pão diário. É o que os vicentinos, por exemplo, procuram fazer: promover as pessoas. 

Em todas as nossas atividades, mesmo na igreja, temos de ver o que é ilusão e o que é realidade. Por exemplo: ir à missa dominical sem se preocupar com uma vida santa durante a semana, não é realidade; é ilusão. 

O criminoso que reza antes de cometer o crime, ou faz um sinal da cruz, estaria vivendo uma realidade?

O torcedor que faz promessa para seu time ganhar, será que Deus torce por aquele time? Se o torcedor do outro time também estiver rezando, quem Deus ajudaria? Veja que ilusão tremenda é esse tipo de oração! Você até poderia rezar, talvez, para que não aconteça nenhum acidente, nenhuma briga... isso seria realidade.

Ir à Aparecida uma vez por ano e nem ligar para a religião no restante do ano, isso é ilusão ou realidade?



Aprendamos a distinguir em tudo o que é pura ilusão e o que é realidade. A vida vai ser bem melhor, mesmo que um pouco mais sofrida. A propósito, quer ver um exemplo de ilusão do dia a dia? Se você me mostra o dedo indicador, isso é uma realidade. Entretanto, se você o agita horizontalmente, eu vejo vários dedos num só, e isso é ilusão!

CAIA NA REAL!




15/02/16

A primeira coisa a fazer é conhecer-se. Para isso, pergunte aos que vivem com você quais são os seus defeitos e virtudes.

A segunda é aceitar-se como se é. Não adianta acharmos que somos outras pessoas! Se você tiver algum defeito físico, assuma-o, até que possa, talvez, fazer algo para eliminá-lo.

Numa conversa, não invente coisas que você não tem fez, nem minta sobre sua condição social e de instrução. Seja o que você é diante de Deus.

Se você é alcoólatra, aceite isso e aí vai conseguir ficar sóbrio. Se está envelhecendo, assuma isso! Não viva como se fosse um adolescente! É ridículo!

Tenha cuidado a quem o (a) atrai, para não trair sua esposa (esposo) ou cometer alguma besteira.

Se nunca viajou ou nunca foi à praia, não minta. Seja você mesmo (a).

Aceite a realidade como ela é. Veja a realidade a seu redor e aprenda a conviver com ela, lutando sempre para melhorá-la, é claro.

Todos vivemos num determinado lugar, mas muitos vivem num lugar mas têm a mente em outro(s). A consequência (uma delas) é que não vai viver bem nem no mundo real, nem no imaginário. É como o turista que se preocupa tanto em tirar fotos que não aproveita a viagem. Ele vai mostrar as fotos de um lugar do qual muitas vezes nem tomou conhecimento.

Para mudarmos qualquer realidade, é preciso primeiramente encará-la como ela é e aí, sim, planejar as mudanças necessárias. 

Quem não é realista vive no mundo da fantasia, sofre muito, vive alienado e cai em depressão ou em atitudes parecidas.

Depois de estudar a realidade, ver o que é bom, o que precisa ser mudado, revise as suas “armas”, o que você tem em mãos para melhorá-la, quais são as suas capacidades, suas possibilidades, a quem pode recorrer, e como as mudanças podem ser feitas, e, claro, se são possíveis. Se não são possíveis, sempre há um modo de adaptar a situação.

Nesse caso, se as mudanças são difíceis ou impossíveis, eu sugiro isto:

- Faça um círculo de amigos constantes e reúna-se sempre com eles;

- Reze (ore) várias vezes por di;

- Medite diariamente sobre um texto bíblico;

- Aproveite o que há de melhor onde você vive, se for coisa honesta e boa. Peça a Deus e converse entre vocês para vencerem o que for coisa má. 

- Assuma suas tarefas diárias com alegria ou, pelo menos, em paz, confiando na graça de Deus;

- Ocupe constantemente seu corpo e sua mente e nunca fique no ócio, ou seja, sem fazer nada, a não ser quanto estiver rezando (orando) ou meditando.

- Ofereça tudo a Deus, que o (a) ouvirá, o (a) acolherá e o (a) ajudará a transformar, se não a realidade, os corações dos com quem você vive.



E se nada disso der certo, simplesmente abra uma cerveja, ou um refrigerante, e relaxe.

A GLÓRIA DO SILÊNCIO



DO PADRE INÁCIO:


A GLÓRIA DO SILÊNCIO


“Assim vive em um presente que não tem um amanhã. Deus fala no silêncio e por isso o solitário cala. A tarefa primordial é deixar-se formar, trabalhar, e estruturar pelo silêncio, que dá a capacidade de bem viver e bem morrer...”- (Monge desconhecido).

No silêncio reza melhor. Enche-se de amor e vive o equilíbrio das emoções. Na glória do silêncio a vida encontra a verdadeira felicidade. A paz, a serenidade, a alegria, o equilíbrio emocional, a incomensurável energia do realizável, a comunhão da irmandade, o respeito pela dignidade da pessoa humana, força e poder para suportar as tormentas, coragem diante das incompatibilidades, caridade e justiça para o bem comum. O silêncio tem como fundamento a maravilhosa graça de Cristo, o amor eterno de Deus e a profunda comunhão do Espírito Santo.

Toda espiritualidade do silêncio, a experiência do deserto, a teologia ascética e mística têm nesse tripé a sua ortodoxia. Daí a vida cristã caminha na fé, no amor e na esperança. É nesse contexto que a alma busca Deus com toda fome e sede. O desejo ardente pelas coisas espirituais e a abissalidade contemplativa se guia pela docilidade do silêncio. O silêncio é arte pedagógica da alma para Deus. O monge e o eremita têm muito a nos ensinar. Precisamos demais aprender com a riqueza do patrimônio sapiencial do monasticismo e eremítico. É a falta dessa colossal sabedoria que a nossa sociedade vive numa catástrofe. Cada dia que passa o conhecimento desse patrimônio fica mais distante das mentes e dos corações.

No entanto, resta tão somente viver essa sabedoria divina no testemunho de vida, nos escritos e no silêncio. A Santíssima Trindade tem chamado monges e eremitas num mundo tomado de guerras, conflitos, terrorismos, vícios, luxúrias e agressão à natureza. Esses ascetas, místicos e contemplativos são verdadeiras luzes nesse mundo de tantas trevas e de profundo abismo. Esses homens e mulheres são os embriagados de Deus, ou seja, mergulham no silêncio e na radical busca de intimidade com a Trindade Santíssima. Só há uma razão de viver, unicamente para Deus. Por muitos que não vivem para Deus e sua vontade, eles vivem muito para Deus e sua vontade, realizando a caridade da intercessão para o bem de todos. Pelo exemplo de vida: sem ostentação, sem consumismo, sem espetacularização e sem escravidão pelas coisas materiais, eles causam impacto e desperta consciência em prol de algo melhor, maior e eterno. A sua contribuição para sociedade é de sustentabilidade em todos os níveis, principalmente espirituais e emocionais.

A glória do silêncio é a glorificação, o louvor e a nossa adoração a Santíssima Trindade que cantamos muito mais com a alma do que com a boca.

“A minha vida aqui não é a de um missionário, mas a de um eremita” escreveu o eremita do deserto do Saara Charles de Foucauld a Henry de Castries, 28 outubro de 1905 (1). A 2 de Julho de 1907, ele escreveu a Dom Guérin, destacando as palavras “Eu sou um monge, não um missionário, feito para o silêncio, para não falar” (2). Esta recusa em ser chamado missionário levou-o a querer desenvolver um apostolado da presença “silenciosa”, “incógnito”. Em correspondência, o Padre Charles acredita que esta presença é essencial, a fim de “gritar com a vida o Evangelho de Cristo”.

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

Religioso da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld



E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

AGITAÇÃO X CONTEMPLAÇÃO



Redação - (Sexta-feira, 29/01/2016, Gaudium Press) - Após o pecado original e o consequente enfraquecimento da natureza humana, a inquietação do espírito pode derivar-se da desordem das paixões, fascinadas por algo que não é lícito. Mas, há outro fator: "o demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar" (I Pe 5, 8). Inúmeras vezes, é ele quem provoca na alma estados de perturbação, aguçando ainda mais as más tendências. Como Lúcifer e seus sequazes não cumpriram a finalidade para a qual foram criados, por se terem revoltado contra Deus, buscam a todo custo a mesma desgraça para os homens com o intuito de privá-los das alegrias da eterna contemplação.
São Francisco de Sales qualifica o frenesi como o maior mal que pode sobrevir à alma, depois do pecado:

Porque assim como as perturbações e sedições interiores de uma república a arruínam por completo e a embaraçam a ponto de que não possa resistir ao estrangeiro, assim o nosso coração, estando perturbado e inquieto em si mesmo perde a força de conservar as virtudes que tinha adquirido e ao mesmo tempo o meio de resistir às tentações do inimigo. [1]Com efeito, o demônio procura exacerbar essa debilidade, utilizando-se da agitação constante, especialmente propagada com a Revolução Industrial.

Revolução Industrial: a embriaguez da agitação

É inegável que o desenvolvimento da tecnologia e da ciência geram inúmeros benefícios e facilidades para a sociedade contemporânea. Com efeito, seria um absurdo se, ainda nos dias atuais, as cirurgias fossem realizadas sem o uso de anestésicos, se para o envio de uma carta fossem utilizados os famosos "pombos-correios" ou, para deslocar-se de um país para outro, não houvesse outro meio senão empreender uma longa viagem marítima ou a cavalo.

Entretanto, muitas vezes, pelo mau uso de tais tecnologias e máquinas, surgem problemas bastante complexos, cuja existência talvez nem seria cogitada em épocas anteriores. Um efeito devastador desse mau uso foi o fato de esse espírito prático, fortemente tendente à velocidade, à agitação e, consequentemente, ao esquecimento do sobrenatural, ter penetrado na alma humana e afetado todo o seu modo de ser.

A máquina - a "alma" de quase toda técnica - tende a sujeitar inteiramente a seu ritmo mecânico todo o trabalho humano. E mais do que o trabalho as diversões, a vida de família, toda a existência. Em todos os domínios, o homem vai se utilizando cada vez mais largamente da máquina, e aceitando adaptar-se a ela, para fruir as vantagens que ela proporciona. Nestas condições, a influência da máquina tende a penetrar nas esferas mais delicadas e mais altas da vida humana, isto é, tende a criar um estilo de vida, um modo de conceber os problemas e de os resolver, uma mentalidade enfim, inteiramente mecanizada. Homens estandardizados, com ideias e gostos padronizados, imersos num estado de espírito de um tédio sombrio, displicente, pesado, cheio de fadiga, interrompido apenas pelas excitações delirantes do cinema, da televisão, do rádio, ou das "torcidas" esportivas.[2]

Até o século XIX, podia-se afirmar que a maior parte das pessoas ainda levava uma vida muito estável, penetrada, em muitos aspectos, pelos costumes tradicionais e carregados de simbolismo das civilizações anteriores. Contudo, o surgimento das indústrias e a realização de tantos avanços científicos e tecnológicos contribuiu decisivamente para que se operasse uma mudança radical nas mentalidades e no modo de viver de toda sociedade. O "progresso" e o "desenvolvimento", tão difundidos desde o final do século XVIII, prometiam uma era de paz e segurança, na qual o homem seria o rei absoluto de si mesmo e de suas ações.

Essa brusca transformação da cultura e dos ambientes causada pela Revolução Industrial exerceu uma profunda ação sobre as tendências humanas, pois "os ambientes [o mesmo pode ser aplicado à cultura], na medida em que favorecem os costumes bons e maus, podem opor à Revolução as admiráveis barreiras de reação; ou [...] podem comunicar às almas as toxinas e as energias tremendas do espírito revolucionário", [3] que incentivam a revolta das paixões.

Com as tendências amortecidas, torna-se mais fácil ao homem a aderência aos fatos que se concretizam depois. Por isso, ao longo do processo de industrialização, rapidamente se consolidou e difundiu o mito de que o homem, por si só, era capaz de produzir coisas extraordinárias e numerosas, independentes de Deus. O otimismo contaminou de tal maneira os espíritos que despertou neles uma crescente apetência de fruição e um verdadeiro horror ao recolhimento e ao sacrifício.

Pode-se acrescentar ainda a ação do demônio que, aproveitando-se deste estado de espírito reinante, começou a propagar a ideia de que a máquina e a velocidade podem proporcionar ao ser humano a plenitude do gozo, dando a entender que "a excitação era a única forma de gozar a vida".[4]

O desejo da novidade passou a ser, então, o dogma da sociedade contemporânea, levando o homem a se cansar rapidamente das coisas, querendo continuamente substituí-las por outras, o que o tornou incapaz da estabilidade e, portanto, do estado espírito exigido pela contemplação. Esta, junto com muitas outras práticas da Religião, foi sendo cada vez mais relegada a um segundo plano, até se dissociar completamente da vida cotidiana:

No fundo, tratava-se de um laicismo que não consistia apenas em silenciar os temas referentes a Deus e ao mundo sobrenatural, mas em apresentar uma visão das atividades do homem diante da qual a Religião era considerada uma coisa com la quale o senza la quale il mondo va tale e quale[com a qual ou sem a qual o mundo continua tal e qual].[5]
Quebrava-se assim, de forma mais ou menos explícita, a necessidade da relação que deve existir entre as criaturas contingentes e o Criador, resultando no mundo pragmático e materialista de nossos dias.


De fato, aquilo que satanás promete, é exatamente o que vai tirar: as promessas de paz e segurança. Basta frequentar qualquer um dos grandes centros urbanos do mundo contemporâneo: em vez de paz, encontra-se agitação; em vez de realização, frustração e infelicidade quase irreversíveis. A alma que voluntariamente se entrega a este estado de espírito se expõe a receber constantes influências malignas.

[...] há um barulho, um ruído ensurdecedor no mundo que seduz as pessoas e estas, em tais condições, não escutam a suave voz do Divino Mestre. Esse barulho, embora possa ser tomado no sentido material da palavra, antes de tudo significa o tumulto das paixões humanas desordenadas que nos levam a agir e a nos movimentarmos de maneira igualmente desordenada. Donde uma espécie de perturbação difusa nas grandes cidades, uma agitação da vida moderna e seus acontecimentos, que embriagam e fascinam imensa parcela dos habitantes dos maiores centros urbanos. Ora, enquanto houver numa alma esse deleite com o tumultuar do século, algo da delicada voz de Nosso Senhor Jesus Cristo não chegará até ela. Nesta sua lamentável surdez irão esbarrar e se deter as inspirações da graça. [6]

Como diz a Sagrada Escritura: "Non in commotione Dominus" (Vulgata: III Rs 19, 11) - "O Senhor não está na agitação"- e nem pode ser causa dela.

Por Ir. Ariane Heringer Tavares, EP
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[1] SÃO FRANCISCO DE SALES. Introdução à vida devota. 5.ed. Porto: Porto Médico, 1948, p.270.
[2] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Vida mecânica, vida natural. In: Catolicismo. São Paulo, n. 55, jul. 1955, [s. p.].
[3] Id. Revolução e Contra-Revolução. 5. ed. São Paulo: Retornarei, 2002, p.85.
[4] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Notas Autobiográficas. São Paulo: Retornarei, 2010, v.II, p.103.
[5] Ibid. p.107.
[6] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O partido de Jesus e o do mundo. In: Dr. Plinio. São Paulo: ano XI, n. 118. jan. 2008, p. 12.
Conteúdo publicado emgaudiumpress.org, no linkhttp://www.gaudiumpress.org/content/76289#ixzz440XUzYmW

Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

sexta-feira, 25 de março de 2016

SOMOS TÃO POUCOS!



28/01/16

Quando estamos desanimados porque parece que estamos levando o mundo nas costas;

Quando sentimos que temos que renunciar a tantas coisas que os outros não renunciam;

Quando vemos que tantos outros vivem a vida na “maciota”, sem muito esforço, enquanto nós temos que dr um duro danado para sermos honestos;

Quando deixamos muitas coisas até boas em si mesmas para irmos à igreja ou a uma reunião na comunidade, ou coisa parecida;

Quando ocorrer isso, cheguemos a Jesus e lhe coloquemos todos os nossos questionamentos, os nossos problemas. Estou certo de que nós o ouviremos falar ao nosso coração palavras como estas:

“Meu (minha) amigo (a) e irmão (ã), que tanto me ama, eu preciso de você e desse pequeno “punhado” de pessoas que se doam a mim, a fim de transmitir aos demais tudo o que eu tenho e posso dar, principalmente a minha misericórdia. Tantos são os que me desprezam e à minhas palavras! O deus deles é o dinheiro, o poder, os prazeres! Quanto a vocês, pequeno resto do meu povo, vocês, que ainda me levam a sério a despeito de tudo o que precisam renunciar, deem-me os seus corações! (Provérbios 23,26).




Quão poucos somos! Jesus pode contar apenas com algumas poucas pessoas para mostrar às demais, por palavras e testemunho de vida, o caminho da salvação.

Nós somos apenas algumas peças nesse jogo maravilhoso que nos levará à vida eterna!

Jesus é o nosso Caminho, a nossa Verdade, a nossa Vida, é aquele a quem vale a pena viver, mesmo numa vida de renúncia. Jesus não nos salva sem o nosso sim, sem a nossa colaboração, Estejamos sempre prontos ao seu chamado de amor!

Não podemos “entupir” nossos ouvidos com os “ruídos” do mundo, nem nos deixarmos prender pelo pecado! Livremo-nos de tudo oque nos escraviza!

Qualquer time de futebol, para vencer, depende do exercício físico, da concentração, do treinamento. Os jogadores precisam se abster de muitas coisas antes dos jogos, a fim de vencerem a disputa.

Ora, somos do “time” de Jesus! Ele é o nosso “técnico”! Obedeçamos às suas ordens e pedidos, como os jogadores (que querem ganhar) ouvem a seus técnicos! Somos tão poucos! Não podemos nos dar ao luxo de viver como gostaríamos, mas sim, como ele quer que vivamos, pois ele nos indica o modo correto de viver.

Fiquemos em paz com nosso tipo de vida mais ligada a Jesus. Ele nos acolheu em seu “time” e sabe que só venceremos se vivermos uma vida de várias ou muitas renúncias! Somos “paus para toda obra”. Afinal, o fardo de Jesus é leve, seu “jugo” é suave! (Mateus 11,30).