sábado, 25 de fevereiro de 2017

LEITURA DE HOJE





leituras: site liturgia diária

leituras: site liturgia diária
 8° DOMINGO DO TEMPO COMUM

26/02- STO. ALEXANDRE=+326
 Isaías 49, 14-15
 Mesmo que haja mãe que esqueça do seu filho, Deus nunca vai se esquecer de nós. Precisamos confiar sempre na sua imensa misericórdia.
 Salmo 61(62)
 R. Só em Deus a minha alma tem repouso,só ele é meu rochedo e salvação.

1Coríntios 4,1-5
 Quem me julga é o Senhor.
Portanto, não queirais julgar antes do tempo.
Aguardai que o Senhor venha.
Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas
e manifestará os projetos dos corações.
Então, cada um receberá de Deus
o louvor que tiver merecido.
 Mateus 6,24-34
 Mateus 6,24:- DEUS E O DINHEIRO
 É a mesma reflexão que o trecho do tesouro: a ganância e o apego às coisas materiais não combinam com o cristianismo. O dinheiro pode nos trazer muito conforto e bem estar, mas acabamos praticando injustiças, caindo nos vícios, ficamos aborrecidos com a facilidade que temos em adquirir coisas e nada mais passa a nos saciar.
 Daí provêm a infelicidade, o suicídio, o alcoolismo, a dependência química (inclusive a remédios), ao tédio, ou, no mínimo, uma vida relaxada e sem sentido. Lembrem-se de pessoas ricas infelizes, como Michel Jackson, Marylin Monroe, Elis Regina, Jenny Jopping etc., que acabaram pondo fim à vida. Eram ricos... em dinheiro e em infelicidade!

Se escolhermos servir a Deus, vamos ser felizes, pois “Quando Deus for tudo em todos (S. Paulo), não haverá mais desejos, pois Deus é tudo o que uma pessoa possa desejar” (Sto. Agostinho).

Mateus 6,25-34:- A PROVIDÊNCIA DIVINA

Diante de tudo o que dissemos acima, devemos confiar plenamente na Divina Providência. Deus não deixa faltar o mínimo necessário para nossa subsistência, pelo menos enquanto estivermos livres fisicamente, quando confiamos plenamente nele, e não nos desesperamos diante dos problemas. Isso só não acontece quando os homens impedem a ação de Deus quando não permitem que a ajuda seja dada. Deus alimenta os pássaros, por exemplo, quando estão na natureza; entretanto, se você prender um deles, se você não o alimentar, ele morrerá de fome.
Não adianta darmos a vara para a pessoa pescar o peixe, assim também não adianta a ensinarmos pescar, se o rio (a sociedade) estiver poluído, ou seja, se imperar a injustiça, a ditadura, a falta de liberdade econômica para o povo. Por pior que seja a nossa ação, Deus a respeita e não interfere onde ele não é bem-vindo, onde não é chamado.

Um santo mártir (parece que São Januário) foi condenado à fogueira; Deus não permitiu que o fogo o queimasse; foi colocado com os leões; Deus não permitiu que as feras lhe fizessem mal; foi mandado ser decapitado: aí, Deus não interferiu, pois era um ato humano, e Deus não interfere nos atos humanos sem a permissão do homem.





 



leituras: site liturgia diária
25/02-SÃO TARÁSIO século 8



1ª leit. Eclesiástico 17,1-13

Deus “caprichou” na criação do homem. O final da leitura diz:

“Ele (Deus) lhes disse: 'Tomai cuidado com tudo o que é injusto!' E a cada um deu mandamentos em relação ao seu próximo.

Os caminhos dos homens estão sempre diante do Senhor e não podem ficar ocultos a seus olhos”.

EVANGELHO: MARCOS 10,13-16

JESUS E AS CRIANÇAS


A criança era muito marginalizada na época. Não tinha direito a nada. A criança é um ser muito dependente de tudo e de todos. Ser como crianças é agir como tal, ou seja, lembrar-se que somos totalmente dependentes de Deus, nosso Pai, em tudo o que fizermos. Acolhendo as crianças, Jesus mostrava que se quisermos segui-lo, devemos, como Ele, acolher os marginalizados, os pobres, os abandonados, os doentes, os pecadores que desejam mudar de vida.

24/02- SÃO SÉRGIO século 4º


Tiago 2,1-9- Os cristãos autênticos não fazem distinção de pessoas. Tiago fala algo muito em voga mesmo atualmente. Exemplo: se aparecer um salafrário vestido de terno e gravata em nossa casa, a gente o recebe bem, mesmo com o risco de sermos enganados; se aparecer uma pessoa mal vestida, por mais honesta que seja, nós a recebemos com reserva e às vezes até com falta de educação. Quando seminarista de teologia, precisei fazer alguns exames num hospital do INSS (tinha outro nome). Eu fui de terno e gravata, o que me fez ser muito bem atendido, com toda a educação e respeito. Uma senhora ao meu lado reclamava que era mal atendida. Por várias vezes havia ido lá para pedir a aposentadoria do marido, por doença. Disseram-lhe, naquele dia, que o marido dela poderia trabalhar perfeitamente, que ele não era doente. Ora, ela tinha ido informar que ele havia morrido!


Marcos 10, 1-12: DISCUSSÃO SOBRE O DIVÓRCIO

Ser cristão não é nada fácil! Neste trecho sobre o casamento e o divórcio, vemos que Jesus não deixa por menos: o casal pode se separar, mas nenhum dos dois pode casar-se com outra pessoa. Viver em castidade não é impossível, com a graça de Deus. Há muitos viúvos e viúvas (e pessoas solteiras), que o conseguem. Mas não é fácil. Exige muita luta, perseverança, humildade e recomeço. Os santos diziam que sem a humildade, a castidade é impossível. Diz Hebreus 10, 35-36: “ Não abandoneis a vossa coragem, que merece grande recompensa. De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu”.

Deus nos criou de tal forma que seremos felizes apenas se seguirmos sua orientação e sua vontade a nosso respeito. Obedecendo a Jesus, teremos a garantia de sermos felizes, por mais tribulações estejamos passando. Como diz Santa Teresinha, “A alegria não está nos objetos, mas no mais profundo do coração; podemos senti-la no mais rico palácio ou na mais pobre prisão”.



Nossa Igreja Católica reconhece que muitas vezes pode ter havido engano ou erro na escolha do cônjuge. Quando há esse problema, pode ser que o casamento tenha sido nulo. Desde que feita as devidas diligências a respeito, a Igreja pode, depois de um processo jurídico próprio, declarar a nulidade daquele matrimônio, dando liberdade e possibilidade de ambos os cônjuges voltarem ao estado de solteiro. Com o documento recebido, podem se casar na Igreja com outra pessoa. Esse processo é feito no Tribunal Eclesiástico, geralmente situado na sede da diocese. Veja melhor no texto sobre o sacramento do matrimônio, neste blog.

LER AS LEITURAS NO SITE:

23/10- SÃO POLICARPO (discípulo de S. João), +155, mártir)

Tiago 1,19-27- Para que a Palavra de Deus se transforme em obras de modo efetivo, são necessárias três coisas: Escutar muito, Falar pouco e Fugir da ira (v. 19).v 27= “A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: em assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações (=os necessitados) e em guardar-se livre da corrupção do mundo (=do pecado). Sabemos escutar muito, falar pouco e fugir da ira ?
Marcos 9,41: CARIDADE PARA COM OS DISCÍPULOS

O versículo dá a entender que essa pessoa que deu o copo de água ainda não é discípula de Jesus. Esse gesto significa abertura à Palavra de Deus. Esse gesto de amor será recompensado. Com a fé verdadeira, por exemplo, com a presença constante de Deus, e não com um carro de luxo na garagem.

Marcos 9,42-50:- O ESCÂNDALO

Os “pequenos” aqui mencionados, não se referem às crianças, mas aos fracos na fé. Devemos ter cuidado com o que falamos ou fazemos, para não escandalizar

Muitas vezes, pessoas inocentes são acusadas e presas por coisas que não foram provadas, baseadas em mentiras ou em sensacionalismo da imprensa. Essas pessoas ficam irremediavelmente marcadas para sempre. Isso aconteceu com vários santos. Um deles, São José de Calazans, morreu com 92 anos, foi caluniado, sofreu humilhações terríveis, sua obra foi descredenciada pela própria Igreja, que só reconheceu que eram calúnias 8 anos após sua morte. Ele foi o primeiro que introduziu escolas gratuitas para crianças e adolescentes. Foi processado. Conta-se que durante a espera do julgamento, ele estava tão desinteressado pelo que lhe ia acontecer, que dormiu no tribunal!

Um amigo meu, certa vez, na praia, comeu um bom-bom deixado por uma pessoa no mar, a Iemanjá, e um colega seu se escandalizou. É como S. Paulo fala em relação à carne oferecida aos deuses pagãos e depois vendida no açougue: não foram oferecidas a ninguém, pois esses deuses não existem, mas comê-la pode causar escândalo em quem é fraco na fé. É como o caso do bom-bom. O que comeu não fez pecado algum, mas escandalizou o outro que não quis comer, e isso pode até se tornar um pecado.

A “geena”, diz F.A. (Pág. 419) “É um vale (que diziam ser ) maldito que se abre para o lado sul de Jerusalém. Nele havia túmulos onde eram enterrados os mortos; um fogo perene queimava o lixo da cidade e uma fumaça mal cheirosa mantinha as pessoas afastadas. Era um lugar imundo, símbolo da ruína e da destruição para a qual caminha quem se entrega ao pecado”.

O “verme que não morre” significa que o que pratica o mal vai sempre ser corroído por ele. Enquanto não abandonar de vez o pecado, não será feliz.


CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

Subsídio já está disponível nas Edições CNBB
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade (CF) de 2017. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), a iniciativa alerta para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros.
Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
Ainda de acordo com o bispo, a Campanha deseja, antes de tudo, que o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. “Cultivar e guardar nasce da admiração! A beleza que toma o coração faz com que nos inclinemos com reverência diante da criação. A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.
Além de abordar a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles moram, a Campanha deseja despertar as famílias, comunidades e pessoas de boa vontade para o cuidado e o cultivo da Casa Comum. Para ajudar nas reflexões sobre a temática são propostos subsídios, sendo o texto-base o principal.
Dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, o texto-base faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões sobre os biomas e os povos originários, sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017. 

Cartaz 

Para colocar em evidência a beleza natural do país, identificando os seis biomas brasileiros, o Cartaz da CF 2017 mostra o mapa do Brasil, em imagens características de cada região. Compõem também o cenário, como personagens principais, os povos originários; os pescadores e o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, acontecido há 299 anos. Além da riqueza dos biomas, o cartaz quer expressar o alerta para os perigos da devastação em curso, além de despertar a atenção de toda a população para a criação de Deus.
Adquira o material da CF 2017 no site das Edições CNBB.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

ABANDONAR A VIDA DUPLA

GaudiumRightPubli


Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 23-02-2017, Gaudium Press) O Papa Francisco iniciou sua homilia da Missa celebrada na Casa Santa falando do escândalo e comentou também a "vida dupla".



"Mas o que é o escândalo? O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra; é ter vida dupla. Vida dupla em tudo: sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a esta e aquela associação; mas a minha vida não é cristã. Não pago o que é justo aos meus funcionários, exploro as pessoas, faço jogo sujo nos negócios, reciclo dinheiro, vida dupla. Muitos católicos são assim. Eles escandalizam. Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu'. O escândalo é isso. Destrói. Joga você no chão. Isso acontece todos os dias, basta ver os telejornais e ler os jornais. (...) Com os escândalos se destrói. " 



Francisco continuou lembrando palavras do Evangelho:



"No Evangelho, Jesus fala daqueles que escandalizam, sem dizer a palavra escândalo, mas se entende: ‘Você chegará ao Céu, baterá à porta e: Sou eu, Senhor! Não se lembra? Eu ia à Igreja, estava sempre com você, pertencia a tal associação, fazia muitas coisas. Não se lembra de todas as ofertas que eu fiz? Sim, lembro-me! As ofertas! Lembro-me bem: todas sujas, roubadas aos pobres. Não o conheço. Esta será a resposta de Jesus aos escandalosos que fazem vida dupla."



Vida Dupla



"A vida dupla provém do seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original", disse o Papa.



A Primeira Leitura exorta a não se deixar levar pelas paixões do coração e a não confiar nas riquezas. A não dizer: "Contento a mim mesmo".



Então o Santo Padre recomendou a não adiar a conversão:



"A todos nós, a cada um de nós, fará bem, hoje, pensar se há algo de vida dupla em nós, de parecer justos. Parecer bons fiéis, bons católicos, mas por baixo fazer outra coisa; se há algo de vida dupla, se há uma confiança excessiva: O Senhor me perdoará tudo. Então, continuo. Isso não é bom. Irei me converter, mas hoje não! Amanhã. Pensemos nisso. Aproveitemos da Palavra do Senhor e pensemos que o Senhor nisso é muito duro. O escândalo destrói." 



"Cortar a mão", "arrancar o olho", mas "não escandalizar os pequeninos", ou seja, os justos, "os que confiam no Senhor, que simplesmente creem no Senhor".



O Papa citou o exemplo de uma empresa importante que estava à beira da falência. As autoridades queriam evitar uma greve justa, mas que não faria bem e queriam conversar com os chefes da empresa. As pessoas não tinham dinheiro para arcar com as despesas cotidianas, pois não recebiam o salário. O responsável, um católico, estava de férias numa praia no Oriente Médio e as pessoas souberam disso mesmo que a notícia não tenha saído nos jornais. "Estes são escândalos", disse Francisco:



"A vida dupla provém do seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original", disse o Papa. A Primeira Leitura exorta a não se deixar levar pelas paixões do coração e a não confiar nas riquezas. A não dizer: "Contento-me de mim mesmo". Francisco convidou a não adir a conversão:



"A todos nós, a cada um de nós, fará bem, hoje, pensar se há algo de vida dupla em nós, de parecer justos. Parecer bons fiéis, bons católicos, mas por baixo fazer outra coisa; se há algo de vida dupla, se há uma confiança excessiva: O Senhor me perdoará tudo. Então, continuo. Ok! Isso não é bom. Irei me converter, mas hoje não! Amanhã. Pensemos nisso. Aproveitemos da Palavra do Senhor e pensemos que o Senhor nisso é muito duro. O escândalo destrói." (JSG)




Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

SOBRE O HOMOSSEXUALISMO

CEDIDA POR CATÓLICOS ON LINE

A origem traumática da homossexualidade masculina
ESCRITO POR JOSEPH NICOLOSI | 07 FEVEREIRO 2017
Como um psicólogo que trata homens de orientação homossexual, assisto com desânimo o movimento LGBT convencer o mundo que a palavra ‘gay’ precisa de uma revisão da compreensão da pessoa humana.
A profissão da psicologia tem muita culpa nessa mudança. Uma vez, era geralmente consenso que a normalidade é “aquilo que funciona de acordo com seu propósito. ” Não havia algo como “uma pessoa gay”, porque a humanidade era reconhecida como naturalmente e fundamentalmente heterossexual. Nos meus mais de 30 anos de prática clínica, eu pude ver como é verdade esse entendimento antropológico inicial.
Homossexualidade é, na minha opinião, primariamente um sintoma de trauma de gênero. Apesar de que algumas pessoas podem ter nascido com algum condicionamento biológico (influência de hormônios pré-natais, sensitividade emocional interna) que as tornaria especialmente vulneráveis a este trauma, o que distingue a condição homossexual humana é que houve uma interrupção no processo natural de identificação masculina.
O comportamento homossexual é uma tentativa sintomática de “reparar” a ferida original que deixou o menino alienado de sua masculinidade inata que ele falhou em reclamar. Isso o diferencia da heterossexualidade, que surge naturalmente no desenvolvimento imperturbado da identidade de gênero.
O conflito básico na maioria da homossexualidade é a seguinte: o menino – normalmente uma criança sensível, mais inclinada que a maioria à feridas emocionais – deseja o amor e aceitação do seu progenitor de mesmo sexo, mas sente frustração e raiva contra ele porque esse progenitor é tido por essa criança em especial como abusivo ou insensível. (Vale notar que essa criança pode ter irmão que experiencia o mesmo progenitor de maneira diferente).
A atividade homossexual pode ser uma encenação erótica desse relacionamento de amor e ódio. Como todas as “perversões” – e eu uso esse termo não para ser rude, mas no sentido de que o desenvolvimento homossexual “perverte”, ou “distancia a pessoa de”, seu biologicamente apropriado objeto de ligação erótica – o eroticismo ao mesmo sexo contém uma dimensão de hostilidade intrínseca.
Assim, a homossexualidade é inerentemente enraizada em conflito: conflito de aceitação do gênero natural de uma pessoa, conflito no relacionamento pai e filho, e geralmente, conflito em relação ao ostracismo por pares do mesmo sexo. Isso significa que observamos o surgimento de temas de submissão/dominação contaminando os relacionamentos homossexuais.
Para os homens de orientação homossexual, sexualidade é uma tentativa de incorporar, “acolher”, e “dominar” outro homem. Funciona como uma “possessão” simbólica da outra pessoa que é geralmente mais agressiva do que carinhosa. Um cliente descreveu sua sexualização de homens que provocam medo como “a vitória do orgasmo”. Outro, como “analgésico orgásmico”.
Existem algumas exceções para o modelo traumático do desenvolvimento homossexual. Temos encontrado em nossa clínica uma outra forma de homossexualidade que é caracterizada como apego mútuo, afetivo, normalmente observado mais comumente em nossos clientes adolescentes e adultos imaturos. Nesse tipo de atração homossexual não há características dependentes de hostilidade, mas de uma qualidade romântica adolescente – um entusiasmo que tem uma manifestação sexual. Tais ligações podem ocorrer por períodos de meses ou anos e então serem abandonadas, para nunca mais serem retomadas, por essa fase de atração passar.
Ainda assim, a regra geral permanece: Se uma criança é traumatizada de uma forma particular que afeta o gênero, ele se tornará homossexual, e se não se traumatiza essa criança dessa maneira particular, o processo natural de desenvolvimento heterossexual se manifesta.
Muitos homossexuais (homens) reportam abusos sexuais por parte de pessoas do mesmo sexo durante sua infância. Molestação sexual é abuso, porque acontece disfarçada de amor. Aqui está um relato de um cliente sobre um adolescente mais velho que o molestou:
Eu queria amor e atenção, e isso se misturou com o sexo. Aconteceu em uma época em que eu realmente não tinha interesse sexual em outros meninos… Eu pensei que ele (o abusador) era descolado. Ele nunca me dava atenção a não ser que quisesse investir sexualmente. Quando se tornava sexual, parecia especial… Era excitante e intenso, alguma coisa entre a gente, um segredo compartilhado. Eu não tinha outros amigos e meu relacionamento com meu pai não ajudou. Eu estava procurando amizade…. [mas] a intensidade da memória… Eu a odiava. Toda a coisa é nojenta, perturbador… Essa é a raiz da minha atração pelo mesmo sexo.
Esse cliente fez a seguinte associação: “Para receber o benefício: i.e. ‘amor’ e ‘atenção’, eu preciso aceitar a mim mesmo como vergonhoso e mau: engajar em uma atividade que é ‘assustadora’, ‘proibida’, ‘suja’ e ‘nojenta’”.
Em terapia, enquanto esse cliente prestava atenção nas sensações de seu corpo durante um momento não desejado de excitação homossexual, ele descobriu que antes de ter um sentimento homossexual, ele invariavelmente experimentava um sentimento como o de ter sido envergonhado por outro homem. Em uma reencenação de seu abuso na infância, o “eu envergonhado” provou-se um pré-requisito necessário para sua excitação homossexual.
A relação entre o abuso passado deste cliente e sua atuação homossexual atual é um exemplo de uma compulsão de repetição. Em sua busca para encontrar amor e aceitação, ele se enreda em repetir um comportamento autodestrutivo e autopunitivo, através do qual ele busca inconscientemente obter a vitória final e resolver sua ferida central. Compulsão de repetição contém 3 elementos: (1) tentativa de autodomínio, (2) uma forma de autopunição, (3) evitar o conflito subjacente.
Para esses homens, a procura por realização através do eroticismo com o mesmo sexo é estimulado pela antecipação temerosa de que sua autoafirmação masculina irá inevitavelmente falhar e resultar em humilhação. Eles optam por uma reencenação ritualizada com a esperança que, diferentemente de todas as ocasiões passadas, “Dessa vez, eu definitivamente vou conseguir o que eu quero; com esse homem, encontrarei poder masculino para mim,” e “dessa vez, o sentido cicatrizado de vazio interior irá finalmente desaparecer.” No entanto, ele acaba de dar a mais uma pessoa o poder de rejeitá-lo, envergonhá-lo, e fazê-lo se sentir sem valor. Quando o cenário produtor de humilhação é repetidamente realizado, isso somente reforça sua convicção de que ele realmente é uma vítima sem esperança e, finalmente, indigno de amor.
Homens gays frequentemente relatam um “tiro de adrenalina” acentuado pelo elemento do medo bruto. Existe entre gays uma subcultura de sexo público, que festeja na emoção de encenar em lugares como parques, banheiros públicos e paradas de caminhões, e é eroticamente dirigido pelo medo de ser descoberto e exposto.
O próprio ato de sodomia é intrinsecamente masoquista. Sexo anal, como uma violação do design corporal, é insalubre e anatomicamente destrutivo, prejudicando o reto e espalhando doença porque os tecidos retais são frágeis e porosos. Psicologicamente, o ato humilha e degrada a dignidade e masculinidade do homem.
Encenação sexual compulsiva  – com seu super drama e a promessa de gratificação – mascara o caminho oculto, mais profundo e saudável de ganhar afeto autêntico.
A disfunção do mundo gay masculino é inegável. Estudos científicos nos oferecem evidências para as tristes comparações a seguir:
Compulsão sexual é mais de seis vezes maior entre homens gays.
Homens gays participam de violência interpessoal com o parceiro três vezes mais do que heterossexuais.
Homens gays participam das práticas sadistas em taxas muito maiores do que heterossexuais.
A incidência de transtornos de humor e transtornos de ansiedade é quase três vezes maior entre homens gays.
A síndrome do pânico é mais de quatro vezes maior do que em homens heterossexuais.
A bipolaridade é mais de cinco vezes maior do que em heterossexuais.
O transtorno de conduta é quase quatro vezes maior (3,8) do que em heterossexuais.
Agorafobia (medo de estar em lugares públicos) é mais de seis vezes maior do que entre homens heterossexuais.
Transtorno obsessivo-compulsivo é mais de 7 vezes maior (7,8) do que em heterossexuais.
Autoflagelo deliberado (suicídio) é de mais de 2 vezes (2.58) a mais de 10 vezes (10.23) maior do que entre homens heterossexuais.
Dependência em nicotina é cinco vezes maior do que em homens heterossexuais.
Dependência do álcool é perto de três vezes maior do que entre homens heterossexuais.
Dependência de outras drogas é mais de quatro vezes maior do que em homens heterossexuais
A promiscuidade é bem ilustrada na pesquisa clássica de McWhirter e Mattison, dois homens gays que relataram em seu livro O Casal Masculino (The Male Couple – 1984), que de 165 relacionamentos estudados por eles, nenhum único par foi capaz de manter fidelidade por mais de cinco anos. Os autores – eles mesmos um casal gay – ficaram surpresos ao descobrirem que casos extraconjugais não apenas não prejudicavam o relacionamento, quanto eram na verdade essenciais para sua própria sobrevivência. Eles concluem: “O único e mais importante fator que mantém casais juntos além da marca de dez anos é a falta de possessividade que eles sentem” (p. 256).
Ao reconhecer a dimensão de amor-ódio nas atividades homoeróticas, podemos simpatizar com a tentativa reparadora do homossexual na resolução de seu trauma de infância. Isso nos oferece uma janela de entendimento acerca de por que continua a existir a profunda insatisfação na comunidade gay apesar de ganhos sem precedentes em sua aceitação social.
Homossexualidade não tem significância no mundo natural além de um mero sintoma, uma consequência de eventos trágicos. De outra maneira é transcendental, uma imaginação feita de fantasia e desejo. Mas através da ajuda das mídias sociais, Hollywood e forças políticas (mais recentemente a administração de Obama), uma nova definição da pessoa humana foi inventada. Este truque linguístico criou uma invenção da imaginação, uma ilusão erótica que sequestrou a realidade. A antropologia clássica teve sua mente transformada e um novo tipo de homem foi inventado. Quando uma pessoa se rotula “gay”, ele se move para fora da esfera natural e se desqualifica da completa participação no destino humano.
De pai para filho para neto para bisneto, a semente do homem é sua semente para as gerações. Através de seu DNA, ele vive em outras vidas. Quando implantado no útero da mulher, sua semente produz vida humanada. Mas no sexo homossexual, a semente do homem só pode resultar em decadência e morte.
Na relação sexual natural, a raça humana é preservada, e o homem vive através de gerações futuras. Mas no sexo traumatizado que viola o propósito do nosso corpo, seu poder produtor gera morte e aniquilação. E então a sabedoria do corpo apresenta seu contraste: Nova vida vs. decadência e morte.
Não nos admira que vejamos tanta insatisfação no mundo homossexual; não somente por causa da desaprovação da sociedade, mas porque o homem que vive naquele mundo, sente a futilidade de uma identidade homossexual. Ela representa o término da longa linha de seus ancestrais que eram antes conectados, através do tempo, no casamento natural.
No mundo real, uma identidade gay não faz sentido. Unicamente como sintoma, como uma reparação erotizada da falta de afeto, a homossexualidade tem sentido.

Tradução: Jonatas Figueiredo e Sara 
Revisão: Jonatas Figueiredo



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

VIVER O DIA DE HOJE


Um dos aspectos da simplicidade é viver o dia de hoje, o presente. Não se preocupar com o passado, que não mais dominamos, nem com o futuro, que desconhecemos porque ainda não existe, e depende de minhas decisões de agora.

Santa Faustina Kowalska e uma legião de santos, incluindo o Papa João XXIII, cultivavam essa espiritualidade do "Só por hoje", aliás, muito utilizada na cura da dependência química. Eu acho magistral a interpretação que dá, a esse assunto, S. Paulo Apóstolo, em Efésios 4,17-24 e Filipenses 3,13-14.16:

"(...) Não andeis(...) na futilidade dos vossos pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela ignorância e pela dureza dos seus corações(...)";

"(Em Jesus) fostes ensinados a remover o vosso modo de vida anterior - o homem velho, que se corrompe ao sabor das concupiscências enganosas - e a renovar-vos pela transformação espiritual da vossa mente, e revesti-vos do Homem Novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade da verdade."

(Filipenses) "Esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está diante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus. Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegamos, conservemos o rumo!"

É bom lembrar, aqui, que "esquecer" não é tirar da mente, mas sim, não se apegar ao passado, perdoar-se, sentir-se perdoado por Deus, não depender do passado para viver e ser feliz. Precisamos ter consciência de que podemos, sim, romper com tudo o que ainda estiver nos prendendo ao passado, que nos impede de prosseguirmos a caminhada. Diz Provérbios 23,26:

"Meu filho, dá-me teu coração e que teus olhos gostem dos meus caminhos!"

De fato, não dá certo recalcarmos o nosso passado, querer esquecê-lo: isso faz piorar as coisas. É preciso que aprendamos a assumi-lo e a superá-lo, mas sem nunca negá-lo. É da negação do passado que surgem os problemas psicológicos. Temos que enfrentar o que somos agora, pois somos o que preparamos pelo nosso passado. Como diz Jesus, colhemos o que plantamos.

A simplicidade e pobreza de vida se refletem nesses atos de humildade, quando com muita sinceridade confirmamos o que realmente somos, mas, pedindo perdão dos nossos pecados, recomeçamos uma vida nova, nos braços do Pai/Mãe Deus. Aceitar os "estragos" do passado, repará-los, e viver apenas no presente, num presente em que nos realizamos como pessoa humana, cristã, como filhos de Deus.

Aqui se aplica bem a simplicidade e a pobreza, no sentido de vivermos plenamente em Deus, numa dependência divina, ao contrário do que fez Adão e Eva e Lúcifer. Eles quiseram viver por si mesmos; nós queremos viver em Deus, com a ajuda de Deus, confiando em sua onipotência e misericória, em sua divina sabedoria que nada nos faltará, que estamos caminhando pelos seus caminhos.

Maria, Mãe dos caminheiros, nos ajudará a "fazer tudo o que Jesus disser", nos ajudará a sermos, como ela, humildes servos e servas do Senhor, humildes eremitas de Jesus Misericordioso.

CARTA DE PAULO VI A UM PASTOR

Extraído da revista Ultimato. Se você quiser dar uma olhada, eis o link: www.ultimato.com.br/revista/358

Carta que um recém-ordenado pastor recebeu de Roma, do Papa Paulo VI, mas que serve para todos nós:
Eu, Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, escrevo a você, meu querido irmão e colega de ministério. Desejo tudo de bom para você e sua igreja da parte de nosso Deus e de Cristo.
Soube de sua ordenação ao ministério. Felicito-o por ter atendido o chamado de Deus e se preparado para tanto. Não por intrometimento, mas por estar historicamente ligado a você e à sua família, tomo a iniciativa de escrever-lhe a presente carta pastoral. Lembre-se de que eu tenho mais do que o dobro de sua idade e sou tão humano quanto você.


No momento, não vou dar conselho algum sobre questões teológicas, eclesiásticas e administrativas. Nem sobre a vida devocional, que deve ocupar a sua primeira atenção.


Por saber que muitos dos nossos colegas, inclusive os de minha idade, estão tendo sérios problemas com a sua sexualidade e que a sociedade está cada vez mais permissiva, permita-me dar-lhe alguns poucos conselhos de pai para filho.
Primeiro, você ainda vai fazer 26 anos e está cheio de vida. Fuja das paixões da mocidade. Ou, melhor, volte as costas para elas. Eu me refiro em especial aos desejos turbulentos da juventude. Não aos desejos naturais, sadios e controlados, mas às paixões malignas e aos pensamentos impuros. Fugir não é sinal de fraqueza nem de fracasso. Muitas e muitas vezes fugir de alguma coisa errada ou inconveniente é um ato de heroísmo.
Segundo, como pastor de um pequeno ou grande rebanho, você precisa ser exemplo dos fiéis, ao pregar, ao ensinar, ao orar, ao aconselhar, ao advertir. Torne-se padrão para toda a igreja e para os de fora, em tudo: na palavra, no procedimento, no amor, na fé e também na pureza. Estou me referindo à pureza sexual. Em outras palavras, torne-se modelo na pureza, isto é, porte-se de acordo com a lei moral de Deus, em pensamento, palavra e ações.
Terceiro, você não será pastor só de ovelhas do sexo masculino, mas também de meninas, mocinhas e senhoras (mães e avós). Meu conselho é: trate as mulheres idosas como mães e as mulheres jovens como irmãs, com toda pureza. Você terá de fazer uma ginástica enorme. Não é algo simples tratar qualquer mulher, sobretudo as mais jovens, com naturalidade, sem qualquer maldade, sem qualquer lascívia, sem qualquer impudicícia, sem qualquer luxúria. Essa dificuldade real é devido à bagagem pecaminosa que está dentro de você e de mim.
Quarto, conserve-se puro. Hoje, amanhã e depois. Em casa, na igreja e na rua. Acordado ou dormindo (caso você tenha algum sonho erótico, provocado ou não por você, lave sua mente e entregue-o ao esquecimento). Sozinho ou na companhia de alguém. Em viagem de uma cidade a outra ou de um país a outro. Sua pureza não pode ser esporádica. Caso haja algum intervalo, apresse-se em pedir desculpas a Deus e a subir imediatamente o degrau do qual você desceu.
Espero que você leia o meu testemunho pessoal sobre o drama da nossa humanidade e da nossa propensão pecaminosa que eu contei aos nossos irmãos que estão aqui em Roma. Em meu desespero, eu clamei: “Quem sobre a terra nos libertará das garras da minha natureza pecaminosa?”. Mas, quando eu recorri a Cristo, fiz uma oração de ação de graças: “Dou graças a Deus por haver uma solução que só pode ser por meio de Jesus Cristo, Senhor nosso”. Continuo dependendo dele para me conservar puro e ser um exemplo de pureza.


Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja com você, meu querido filho!





(Texto baseado em 1 Timóteo 4,12, 5,1-2 e 22 e em 2 Timóteo 2,22)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

THE END

                      
Eu assistia à sessão da tarde recostado no sofá, quando vi, pela janela aberta, as folhas de vários pés de cana serem tocadas e movidas por uma brisa suave. O cenário ao fundo era de um céu iluminado, com nuvens esparsas. Lembrei-me, então, daquele trecho do profeta Elias, quando encontrou-se com Deus não no terremoto, no fogo, na tempestade, mas na brisa suave. Senti, então,que Deus me       chamava a uma intimidade com Ele, como em Oseias 2,16: “por isso eu vou, eu mesmo, seduzir-te e conduzir-te ao deserto e ali falar-te-ei ao coração”.
Não enxerguei mais a TV, não ouvi o cachorro que latia, as crianças do vizinho que bagunçavam na casa de cima... apenas eu me vi como se elevando sobre as coisas, e entrando naquela brisa. O horizonte abriu-se diante e ao redor de mim. Imaginei a bondade e a beleza de Deus, lembrando-me da beleza e da bondade de   tantas criaturas e seres humanos que passaram pela minha vida. Senti sua suavidade na brisa que me tocava e no belo pôr-do-sol que começava.
Estar imerso na bondade de Deus é algo indescritível! É como uma força que se irradia e transmite a você uma paz incrível!
Quis, então, subir mais alto na minha contemplação, penetrar mais no mistério divino, quando senti que Deus me alertava, mostrando, num plano inferior, milhares de seres humanos que sofriam fome, frio, doenças, abandono, miséria, injustiças, marginalização, vícios, e tantas outras desgraças: “ A contemplação plena só será possível quando vocês vencerem e eliminarem tudo isso do seu meio!”.
Juntei, então, todo esse cenário indigesto à minha contemplação, até que a palavra “The End” do filme apareceu diante dos meus olhos, despertando-me de minha contemplação.
Não sei como terminou o filme. Sei, entretanto, que nossa luta ainda não terminou, e precisa continuar, até que, um dia, “Deus for tudo em todos” e, como disse Santo Agostinho, Quando Deus for tudo em todos, não haverá mais nenhum desejo, pois Deus é tudo o que uma pessoa pode desejar”.

(Teófilo Aparecido, 2003)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ESCLARECIMENTO

PARA VOCÊ VER QUASE TODAS AS EXPERIÊNCIAS COMO A NOSSA, DE UM EREMITISMO PARCIAL, MESMO PARA PESSOAS CASADAS, NÃO DEIXE DE ACESSAR ESTE LINK: VIDA EREMÍTICA PARCIAL


Há muitas ilusões quando se refere à vida eremítica, e muitos perigos, como já percebiam santos famosos como São Basílio, Sto. Agostinho, São Bento, Carlos de Foucauld.
Thomas Merton, famoso monge norte-americano, diz, em seu livro também famoso “Homem algum é uma ilha”, à página 211:>
O ascetismo do falso solitário é sempre falso. Pretende amar os outros, mas os odeia. Pretende detestar as criaturas, mas as ama. E como as ama no mau sentido, só consegue odiá-las. Por conseguinte, a nossa reclusão, enquanto for imperfeita, há de tingir-se de amargura e desgosto, porque nos esgotará por um constante conflito. O aborrecimento é inevitável. A amargura, que não devia haver, está lá, no entanto.(...) O  verdadeiro solitário tem de reconhecer a sua obrigação de amar as pessoas e as criaturas de Deus(...),é um dever que não é nunca amargo”.
Homem algum, em todos os tempos, será capaz de viver uma vida contemplativa como Jesus. No entanto, ele nunca foi eremita. Viveu a maior parte da vida como qualquer cristão leigo vive, ou seja, a “Vida de Nazaré”, como tanto falo nos meus blogs e sites. Ele viveu 30 anos em família e 3 anos pregando. Será que isso não quer dizer nada para nós?
Jesus muitas vezes precisava se isolar mentalmente dos outros para orar, como em Lucas 9, 18: “Estando (Jesus) orando a sós no meio dos discípulos...”
Aliás, Thomas Merton escreve sobre isso já no fim do livro citado:
A pura solidão interior encontra-se na virtude da esperança. A esperança nos retira inteiramente deste mundo, embora aí continuemos em corpo. (...) Somos sepultados em Cristo, a nossa vida se esconde com Ele em Deus, e sabemos o que significa a liberdade em Cristo. Essa, a verdadeira solidão, em torno da qual não há disputas nem questões. A alma que então se encontrou a si mesma gravita em direção do deserto, mas não faz objeção em permanecer na cidade, porque está só em toda a parte” (pág. 213).
Podemos viver a contemplação em qualquer tipo de vida, bastando disciplinarmo-nos nos horários e nos nossos costumes. Dizia o Pe. René Voillaume, grande orientador e escritor, que dificilmente vai orar a pessoa que fica horas a fio sentada diante de uma televisão (livro “Irmão de Todos”, resumido no nosso site).
Outra coisa que vejo por aí é a mania de achar que as virtudes dependem só de nós. Engano! Eu lutei e batalhei como um louco (ou seria melhor como um bobo) até entender orientações bíblicas, como o salmo 126 (127):
“Se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os construtores; (...) É inútil que madrugueis, e que atraseis o vosso deitar para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado (Deus) o dá enquanto dorme!”.
1ª Pedro 5,6-7: “Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que na ocasião própria vos exalte; lançai nele toda a vossa preocupação porque é ele quem cuida de vós!”.
Aos 23 anos eu chefiava o setor “expedição” de um Banco em São Paulo. O meu trabalho era à tarde, o mesmo que um colega fazia de manhã. A diferença entre nós é que eu buscava a ajuda de Deus no meu trabalho mas ele buscava apenas a própria força. O resultado logo se percebeu: o meu trabalho rendia mais e eu ainda tinha tempo para ir assistir as Vésperas no Mosteiro de São Bento, bem perto do Banco. Ele me perguntou, certo dia, sobre isso. Ele não entendia! Eu lhe citei, então, esse salmo acima.
Gente amiga, todos nós somos fracos e indefesos. A madre Teresa de Calcutá, ou o Papa São João Paulo II não eram mais fortes do que nós. Apenas rezavam mais do que nós e confiavam mais na Graça divina. Só isso!
Quando nos sentirmos fracos para adquirir uma virtude, peçamo-la a Deus e Ele no-la dará. O que Jesus pede nada mais é do que “Vigiar e Orar”. O resto, ele faz. A oração, no entanto, deve ser contínua: “(...) para mostrar a necessidade de orar sempre, sem jamais esmorecer...” (Lucas 18, 1). Santo Agostinho dizia que oramos sempre quando procuramos em tudo a vontade de Deus e sempre nos conservamos na sua Graça. Aí, se nos conservarmos sem pecado, o próprio trabalho se torna uma oração. Os monges russos rezavam mais de 3000 vezes por dia esta oração: "Jesus, Filho do Deus vivo, tende piedade de mim"!
Quanto à penitência e mortificações necessárias, não é preciso procurá-las! Elas vêm até nós! Só pelo fato de lutarmos para conservarmos ou obtermos as virtudes (essa luta é sempre confiando na graça de Deus, como eu disse acima), isso já é uma penitência.
Não adianta, por exemplo, você fazer um jejum rigoroso de alimentação e gastar um tempo precioso vendo tevê! Tenha um costume de se alimentar bem e sem exagero e isso já é uma penitência. Como dizemos na nossa Fraternidade Jesus Cáritas, que segue a espiritualidade do Beato Carlos de Foucauld, devemos sempre escolher os meios pobres, tanto de vida como de pregação. Essa escolha dos meios pobre já é uma penitência.
Aliás, o próprio Irmão Carlos de Foucauld era eremita no deserto do Saara, em Tamanrasset (veja no site e blog Gritar o Evangelho com a Vida), mas recebia DIARIAMENTE cerca de 50 a 60 hóspedes! E isso em pleno deserto! Ele mesmo relata isso em seus escritos. Se ele não tivesse um esquema próprio para contornar essa situação, não iria viver a contemplação.
Há um amigo meu que foi caluniado covardemente e está preso. Ele procura viver a vida parecida com a eremítica dentro do presídio, vivendo com outros vinte e quatro presos em sua cela, e mais outro tanto das outras celas. Como obter o silêncio? É quase impossível! O rádio e a tevê em último volume, e um berrando com o outro para ser ouvido. Mas ele conta passagens belíssimas de seus encontros com Deus. Ele me escreveu muito, e eu transformei essa experiência dele em poesias, como vocês podem ver no nosso site Eremitas Vivendo Nazaré. Também podem ser vistos os relatos da prisão.
Concluindo: o demônio nos rodeia como leão, pronto para nos devorar, como diz a 1ª carta de Pedro. Ele coloca muitas mentiras em nossa mente, a fim de nos conquistar. O critério para nossa ação deve ser a mesma de Jesus: a pessoa do irmão. Essa é a forma de sabermos se nossas aspirações são corretas, são de acordo com a vontade divina.
Termino com outra frase desse monge magnífico, o Thomas Merton:

“Se ano os outros em Deus, posso encontrá-los sem me afastar de Deus. Se busco a Deus nos outros, encontro-O  sem me afastar deles. Nos dois casos, quando a caridade é plenamente madura, o irmão que amo não representa para mim uma distração de Deus, em quem termina o meu amor.”.