sábado, 20 de maio de 2017

VIVER O DIA DE HOJE




Um dos aspectos da simplicidade é viver o dia de hoje, o presente. Não se preocupar com o passado, que não mais dominamos, nem com o futuro, que desconhecemos porque ainda não existe, e depende de minhas decisões de agora.

Santa Faustina Kowalska e uma legião de santos, incluindo o Papa João XXIII, cultivavam essa espiritualidade do "Só por hoje", aliás, muito utilizada na cura da dependência química. Eu acho magistral a interpretação que dá, a esse assunto, S. Paulo Apóstolo, em Efésios 4,17-24 e Filipenses 3,13-14.16:

"(...) Não andeis(...) na futilidade dos vossos pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela ignorância e pela dureza dos seus corações(...)";

"(Em Jesus) fostes ensinados a remover o vosso modo de vida anterior - o homem velho, que se corrompe ao sabor das concupiscências enganosas - e a renovar-vos pela transformação espiritual da vossa mente, e revesti-vos do Homem Novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade da verdade."

(Filipenses) "Esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está diante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus. Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegamos, conservemos o rumo!"

É bom lembrar, aqui, que "esquecer" não é tirar da mente, mas sim, não se apegar ao passado, perdoar-se, sentir-se perdoado por Deus, não depender do passado para viver e ser feliz. Precisamos ter consciência de que podemos, sim, romper com tudo o que ainda estiver nos prendendo ao passado, que nos impede de prosseguirmos a caminhada. Diz Provérbios 23,26:

"Meu filho, dá-me teu coração e que teus olhos gostem dos meus caminhos!"

De fato, não dá certo recalcarmos o nosso passado, querer esquecê-lo: isso faz piorar as coisas. É preciso que aprendamos a assumi-lo e a superá-lo, mas sem nunca negá-lo. É da negação do passado que surgem os problemas psicológicos. Temos que enfrentar o que somos agora, pois somos o que preparamos pelo nosso passado. Como diz Jesus, colhemos o que plantamos.

A simplicidade e pobreza de vida se refletem nesses atos de humildade, quando com muita sinceridade confirmamos o que realmente somos, mas, pedindo perdão dos nossos pecados, recomeçamos uma vida nova, nos braços do Pai/Mãe Deus. 


Aceitar os "estragos" do passado, repará-los, e viver apenas no presente, num presente em que nos realizamos como pessoa humana, cristã, como filhos de Deus.

Aqui se aplica bem a simplicidade e a pobreza, no sentido de vivermos plenamente em Deus, numa dependência divina, ao contrário do que fez Adão e Eva e Lúcifer. Eles quiseram viver por si mesmos; nós queremos viver em Deus, com a ajuda de Deus, confiando em sua onipotência e misericórdia, em sua divina sabedoria que nada nos faltará, que estamos caminhando pelos seus caminhos.

Maria, Mãe dos caminheiros, nos ajudará a "fazer tudo o que Jesus disser", nos ajudará a sermos, como ela, humildes servos e servas do Senhor, humildes eremitas de Jesus Misericordioso.

O SILÊNCIO E A SOLIDÃO




“Assim vive em um presente que não tem um amanhã. Deus fala no silêncio e por isso o solitário cala. A tarefa primordial é deixar-se formar, trabalhar, e estruturar pelo silêncio, que dá a capacidade de bem viver e bem morrer...”- (Monge desconhecido).


No silêncio reza melhor. Enche-se de amor e vive o equilíbrio das emoções. Na glória do silêncio a vida encontra a verdadeira felicidade. A paz, a serenidade, a alegria, o equilíbrio emocional, a incomensurável energia do realizável, a comunhão da irmandade, o respeito pela dignidade da pessoa humana, força e poder para suportar as tormentas, coragem diante das incompatibilidades, caridade e justiça para o bem comum. O silêncio tem como fundamento a maravilhosa graça de Cristo, o amor eterno de Deus e a profunda comunhão do Espírito Santo.



Toda espiritualidade do silêncio, a experiência do deserto, a teologia ascética e mística têm nesse tripé a sua ortodoxia. Daí a vida cristã caminha na fé, no amor e na esperança. É nesse contexto que a alma busca Deus com toda fome e sede. O desejo ardente pelas coisas espirituais e a abissalidade contemplativa se guia pela docilidade do silêncio. O silêncio é arte pedagógica da alma para Deus. O monge e o eremita têm muito a nos ensinar. Precisamos demais aprender com a riqueza do patrimônio sapiencial do monasticismo e eremítico. É a falta dessa colossal sabedoria que a nossa sociedade vive numa catástrofe. Cada dia que passa o conhecimento desse patrimônio fica mais distante das mentes e dos corações.



No entanto, resta tão somente viver essa sabedoria divina no testemunho de vida, nos escritos e no silêncio. A Santíssima Trindade tem chamado monges e eremitas num mundo tomado de guerras, conflitos, terrorismos, vícios, luxúrias e agressão à natureza. Esses ascetas, místicos e contemplativos são verdadeiras luzes nesse mundo de tantas trevas e de profundo abismo. Esses homens e mulheres são os embriagados de Deus, ou seja, mergulham no silêncio e na radical busca de intimidade com a Trindade Santíssima.

Só há uma razão de viver, unicamente para Deus. Por muitos que não vivem para Deus e sua vontade, eles vivem muito para Deus e sua vontade, realizando a caridade da intercessão para o bem de todos. Pelo exemplo de vida: sem ostentação, sem consumismo, sem espetacularização e sem escravidão pelas coisas materiais, eles causam impacto e desperta consciência em prol de algo melhor, maior e eterno. A sua contribuição para sociedade é de sustentabilidade em todos os níveis, principalmente espirituais e emocionais.



A glória do silêncio é a glorificação, o louvor e a nossa adoração a Santíssima Trindade que cantamos muito mais com a alma do que com a boca.



“A minha vida aqui não é a de um missionário, mas a de um eremita”escreveu o eremita do deserto do Saara Charles de Foucauld a Henry de Castries, 28 outubro de 1905 (1). A 2 de Julho de 1907, ele escreveu a Dom Guérin, destacando as palavras “Eu sou um monge, não um missionário, feito para o silêncio, para não falar” (2). Esta recusa em ser chamado missionário levou-o a querer desenvolver um apostolado da presença “silenciosa”, “incógnito”. Em correspondência, o Padre Charles acredita que esta presença é essencial, a fim de “gritar com a vida o Evangelho de Cristo”.


Notas:

(1) Foucauld, Letters to Henry de Castries , Paris, Grasset, 1938, p. 177.

(2) Citado em J.-F. Six. Itinerário espiritual de Charles de Foucauld , Paris, Seuil, 1958, p. 280.

Por: Monge Luciano Manicardi

Comunidade Monástica de Bose, Itália


Depois de ter vivido a experiência de duas semanas passadas num lugar retirado sem a possibilidade de ligar-se à internet, a escritora britânica Ruth Thomas publicou as suas reflexões sobre a perda da capacidade de estar em solidão a que nos conduz a vida contemporânea, marcada pelas conexões em rede, mas também sobre o prazer de redescobrir a riqueza e a potencialidade inerente à solitude. Viver alguns dias sem telefone e sem internet é hoje uma experiência excecional, com dimensões antropológicas e espirituais relevantes. Ruth Thomas afirma que lhe parecia estar a viver num tempo passado, noutra época, duzentos anos antes.

O binómio "solidão - 'ocium'" é amplamente atestado na Antiguidade clássica. Um passo do "De officiis", do célebre sábio e cônsul romano Cícero, diz: «Marco, meu filho: de Públio Cipião, que em primeiro lugar teve o sobrenome de Africano, Catão, que era mais ou menos seu coetâneo, conta que era habitual dizer que ele nunca era menos ocioso do que quando era ocioso, nem menos só do que quando estava só». Expressão verdadeiramente esplêndida e digna de um homem grande e sábio: ela diz que também no tempo livre ("in otio") pensava nos negócios públicos ("de negotiis") e em solitude ("in solitudine") falava consigo próprio, e por isso nunca era ocioso e não sentia a necessidade de alguém com quem conversar. Desta forma, ociosidade e solitude ("otium et solitudo"), estas duas coisas que paralisam os outros, a ele, pelo contrário, estimulavam-no. Obviamente, o significado de "otium" e "otiosus" não tem aqui nada de negativo, antes indica o tempo do retiro, o tempo dedicado ao estudo, ao pensar, ao refletir, à atividade espiritual. Santo Ambrósio de Milão realizará uma refundação bíblico-cristã desta dupla terminológica. O bispo de Milão aplicou a si mesmo a expressão ciceroniana: «Com efeito, nunca sou menos só do que quando parece que esteja só, nem menos ocioso do que quando parece que seja ocioso». Silêncio, solidão, tranquilidade eram considerados por Ambrósio elementos de fecundidade e de eficácia também no exercício do seu ministério episcopal.

Diante da dificuldade de viver a solidão e de estar sem fazer nada, é preciso, portanto, creio redescobrir a antiga e sempre nova virtude do "otium". No atual contexto de idolatria da comunicação, somos subjugados por demasiada informação, que não sabemos elaborar. Seria preciso um movimento de "tomada de distância de si". É um movimento de resistência individual, um ato de subversão solitária.

A ideia da recuperação e da valorização da noção de "otium" é precisamente dirigida à recuperação de uma sabedoria que hoje está perdida. Como já escrevia santo Agostinho, «o meu "otium" (tempo livre) não é destinado a cultivar a preguiça, mas a alcançar a sabedoria». E Agostinho dizia isto a partir da lição bíblica: «O letrado adquire a sabedoria, no tempo em que está livre de negócios; por isso, aquele que tem poucas ocupações pode chegar a ser sábio» (Ben Sira 38, 24). Ter tempo, dar-se tempo, para poder habitar consigo próprio. De outro modo o risco da nossa incapacidade de solitude é que os nossos corpos se tornem não-lugares, lugares não habitados, lugares sem alma, lugares só de passagem de emoções e flash, de sons e rumores, sem princípio nem fim.

A ideia de "otium", a expressão "vacare Deo" (ter tempo livre para Deus), tornam-se elementos típicos da experiência monástica, experiência que desenvolve particularmente a dimensão solitária, e que, todavia não cria uma vida de privilegiados, mas funde "otium" com a atividade laboral intensa e quotidiana.

Em síntese, o "otium", se é virtuoso, deve afastar de si toda a forma de "otiositas". Sem o cansaço do trabalho manual e intelectual, com efeito, o monge não poderia alcançar aquele distanciamento do mundo, dos próprios pensamentos e desejos que lhe permite alcançar a paz interior e, portanto, a contemplação de Deus. Em suma, o "otium" é um bem na medida em que vê trabalho, fadiga, esforço e aplicação. Um "otium negotiosum" (um ócio laborioso, uma inatividade operativa) como gostam de repetir os monges, e também "negotiosissimum" (laborosíssimo), como especifica S. Bernardo. O "otium" é a possibilidade da solidão positiva, da solidão da alma. E talvez o retomar da atitude espiritual do "otium" possa fazer bem também a nós, hoje, que vivemos uma relação conflitual com o tempo e frenética com o fazer. Mas aqui coloca-se a pergunta: sabemos estar sem fazer nada? Sabemos habitar a atitude positiva, não indolente, mas eficaz, do não fazer?

A fadiga do "otium" está no dedicar-se ao trabalho mais difícil e mais necessário do homem: conhecer-se a si mesmo. O "otium" permitir-nos-ia aprofundar a noção de vida interior e, sobretudo de desenvolver a prática. Prática que conhece muitos movimentos que precisam ser aprofundados e analisados (tomar atenção, vigiar, interrogar-se, pensar, discernir, decidir, etc.), mas aqui limito-me a elencar as três atitudes de fundo que se apresentam ao homem que decide entrar na vida interior ou, se quisermos, de dar espaço ao "otium" na sua existência. São os movimentos contidos num apotegma de Arsénio, um padre do deserto: «Foge, faz silêncio, sê tranquilo: destas raízes nasce a possibilidade de não pecar». Ou seja, procura conscientemente a solidão, vive o silêncio como ação interior, persegue a paz interior. Trata-se de uma ação fatigante, que exige um esforço, que convoca as energias interiores e espirituais da pessoa para um fim preciso, e que consente ao homem sair da atitude "viciosa", isto é, dos maus hábitos, da tirania dos hábitos que nos agitam e nos tiram liberdade e responsabilidade. O hábito, escreve o filósofo latino Séneca, «imobiliza as coisas» e paralisa também a pessoa. O resultado desta ascese, isto é, desta escolha consciente do essencial, é o sentido acrescido de integridade pessoal (1).

O ínclito eremita francês Charles de Foucauld relata sua meditação: “Quero passar sobre a terra de maneira obscura como um viajante à noite. Viver na pobreza, na abjeção, no sofrimento, na solidão, no abandono para estar na vida com o meu Mestre, o meu Irmão, o meu Esposo, o meu Deus, que viveu assim toda a sua vida e me dá esse exemplo desde o nascimento”. (Meditações sobre o Evangelho). (2).

CONCLUSÃO

A práxis do silêncio, solidão, deserto e toda ascese desse contexto, é a abissal vida espiritual com a bênção da celestialidade que não existe palavras para uma explicitação desse estado de graça. O amor desse estado de vida, a fé, a esperança e o poder de Deus são fundamentos da vivência da via contemplativa. A simbiose da gloriosa felicidade, a busca ardente do silêncio, oração, intercessão, estudo da Sagrada Escritura, jejum e visões, são atitudes alimentares da alma, saúde emocional e equilíbrio para o corpo. Os atos praticados de tais virtudes solidificam a caminhada na profundidade de comunhão com Deus, consigo mesmo e com o próximo. A idiossincrasia dessa abençoada jornada é sublime, caridosa e tomada de uma vontade infinita de paz, de serenidade e de santificação. A solidão do deserto é a companhia da Santíssima Trindade, dos anjos, dos santos e dos mistérios revelativos! Aqui há confidencialidade eremítica.

Hoje mais do que nunca, a vida tem sentido na dimensão da espiritualidade do silêncio. A falação, o barulho, a poluição visual e a perigosa companhia de certas pessoas, são armas que assassinam muitas vidas. A sabedoria do silêncio é o tesouro dos sábios. Quem fala pouco, ou seja, o necessário, e fala para edificação é ser intelectual. O silencioso vive no conhecimento da escola de São José e de Maria de Nazaré. O silêncio é o livro de ouro dos sábios. Quanto mais se aprende a viver em silêncio, mais profundo se torna o discípulo da Sagrada Família. Nosso relacionamento com a solidão é o livramento de tudo que pode ofender o espírito e a matéria. Depositamos a nossa confiança em Deus em nós mesmos com a força do silêncio. Viver verdadeiramente é viver livremente para amar o bom Deus, o nosso “eu” e o nosso semelhante na infinidade do tempo graciosamente silencioso. Em tudo na adoração e louvor angelical!

Crescer na graça, na misericórdia e no conhecimento de Jesus Cristo, configurados na riqueza do silêncio e da solidão, tendo como pedagogo o Espírito Santo para que o nosso progresso espiritual seja sempre renovado, avivado e reavivado.

Pe. Inácio José do Vale

Professor, Sociólogo e Conferencista

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld




Notas:


NÃO AO ESTILO DE VIDA DOS RICOS





“Mas ai de vós ricos, porque tendes a consolação agora” (Lc 6,24).


Provavelmente muitos dos que leem esta mensagem vivem em casas com água encanada e eletricidade, possuem os eletrodomésticos básicos e pelo menos um carro e um computador. Alguns podem ter uma segunda casa na praia ou no campo, um barco de pesca e condições financeiras favoráveis.


Assim, quando Jesus fala “Ai de vós ricos” (Lc 6,24), é fácil não darmos a devida atenção e pensarmos: “Jesus não pode estar falando de mim. Eu não sou rico, só tenho o que a maioria tem”. Entretanto, esta comparação não está correta, pois se for para fazê-la, devemos nos comparar com aqueles a quem Jesus dirigiu essas palavras. Nenhuma daquelas pessoas que tinham vindo de longe para ouví-Lo e ser curadas por Ele (Lc 6,17) possuía casa com água encanada e eletricidade, nem um bom colchão para dormir. Mesmo os ricos daquela época que pudessem estar entre a multidão, jamais imaginariam o estilo de vida que até os mais simples de hoje podem ter. E apesar de tudo isso, Jesus considerou importante alertar seus contemporâneos para o estilo de vida dos ricos: “ Aqui vos dou apenas um conselho sobre esta questão da riqueza e da pobreza” (2Cor 8, 1-10).


Jesus, hoje, é o mesmo daquele tempo (Hb 13,8), e, nós, hoje, por seus padrões, somos ricos. Portanto, o alerta que Jesus fez serve, sim, para nós, e não devemos, de maneira alguma, desconsiderar as palavras Dele. Jesus é Senhor e Juiz, e Sua palavra deve fazer-nos tremer. (Is 66,2). Por isso, devemos adotar um estilo de vida ditado por Seus valore e não pelos valores do mundo.


Está na hora de nos arrependermos por não simplificarmos nossas vidas e não nos ajustarmos às diretrizes do reino de Deus. Tenhamos muito cuidado com as posses materiais. Estas são ferramentas para prática da caridade. Em tudo, sejamos solidários (1).

Charles de Foucauld

Escreveu o grande místico, o eremita do deserto Saara Charles de Foucauld: “Não quero passar minha vida em primeira classe, enquanto Aquele que me ama a passou na última”. “Meu Senhor Jesus, como depressa ficará pobre aquele que, amando-Te de todo o coração, não pode suportar ser mais rico que seu bem-amado... Meu Deus, não sei se é possível para alguém, ver-Te pobre e continuar rico como antes...” (Meditações sobre o Evangelho).

Papa Francisco: triste ver padres e bispos apegados ao dinheiro


“Bispos e sacerdotes vençam a tentação de “uma vida dupla”, a Igreja deve servir aos outros e não servir-se dos outros”. Esta é uma das passagens da homilia do Papa Francisco na manhã de sexta-feira (06/11/2015), na Casa Santa Marta. O Pontífice chamou atenção para os “carreiristas, apegados ao dinheiro”. “Também na Igreja, há aqueles que em vez de servir, de pensar nos outros, de estabelecer as bases, se servem da Igreja: os carreiristas, os apegados ao dinheiro. E quantos sacerdotes, bispos vimos assim. É triste dizer isso, não? A radicalidade do Evangelho, do chamamento de Jesus Cristo: servir, estar ao serviço de, não parar, ir ainda mais longe, esquecendo-se de si mesmo. E o conforto do status: eu atingi um status e vivo confortavelmente sem honestidade, como os fariseus de que fala Jesus, que passeavam pelas praças, para serem vistos pelas pessoas” (2).


De forma contundente afirma o Papa Francisco: “O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia” (3).


Disse Jesus: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19,23.24).


Pe. Inácio José do Vale


Professor e conferencista


Sociólogo em Ciência da Religião


Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld





Notas:

(1) (UM PÃO, UM CORPO, 10/09/2009, p.46).


EXPERIÊNCIA DO DESERTO



“... e esses homens estão longe de si mesmos, como ébrios de bebida, ébrios em espírito de mistério e de Deus”. (Pseudo-Macário, Homilias Espirituais).

Solidão, silêncio e oração incessante configuram o conceito central da espiritualidade do deserto, que tem grande valor para nós que vivemos situações sempre novas e desafiadoras como cristãos. Já ensinava São Paulo apóstolo: "Orai incessantemente" (1 Ts 5,17) foi fundamental para vida ascética dos Padres do Deserto, eremitas, monges e monjas.

Os Padres do Deserto foram eremitasascetasmonges e monjas que viviam majoritariamente no deserto da Nítria (Scetes), no Egito a partir do século III d.C. O mais conhecido deles foi Santo Antão (ou Santo Antônio, o Grande), que mudou-se para o deserto em 270-271 e se tornou conhecido tanto como o pai quanto o fundador do monasticismo no deserto. Quando Antão morreu em 356, milhares de monges e freiras tinham sido atraídos para a vida no deserto seguindo o exemplo do grande santo. Seu biógrafo, o doutor da Igreja Santo Atanásio de Alexandria, escreveu que "o deserto tinha se tornado uma cidade".

Nos séculos III e IV da era cristã os desertos da Síria e do Egito viram afluir em grande número homens como Santo Antão, São Pacômio, São Macário e Paulo de Tebas que, respondendo ao chamado de Jesus Cristo, deixaram a vida do mundo para se dedicarem a uma vida com Deus no deserto, na solidão e na oração, ali fundando os primeiros mosteiros da história cristã. Estes monges se tornaram conhecidos como os padres (ou pais) do deserto. Surgia, assim, uma nova sociedade à margem da antiga; comunidades de ascetas que, com o nome de lauras, sketes, coenobia, se tornariam, na solidão do deserto, o modelo da cidade vindoura, a Jerusalém Celeste. 

Três principais tipos de monasticismo se desenvolveram no Egito à volta dos Padres do Deserto. Um foi à vida austera do eremita, como praticado pelo próprio Antão e seus seguidores no Baixo Egito. Outro foi a vida cenobita, comunidades de monges e monjas no Alto Egito formadas por São Pacômio. O terceiro foi uma vida semi-eremita vista principalmente na Nítria e em Scetes, a oeste do Nilo, iniciada por Santo Amum. Estes últimos eram pequenos grupos (de dois a seis) de monges e freiras com um ancião em comum - os grupos separados se reuniam em aglomerações maiores para a celebração dos sábados e domingos. Este terceiro grupo monástico foi responsável pela maior parte dos ditados que foram compilados na obra “Ditados dos Pais do Deserto”.

Sinclética, Mãe do Deserto, disse: "No começo, há luta e muito trabalho para os que se aproximam de Deus. Mas, depois disso, há uma indescritível alegria. É como acender uma fogueira: no início há muita fumaça e seus olhos lacrimejam, mas depois você consegue o resultado desejado. Assim devemos acender o fogo divino em nós mesmos, com lágrimas e esforço".

Charles de Foucauld

Um dos principais fatores da caminhada do Padre Charles de Foucauld (1858-1916), foi a redescoberta do deserto. Ele era uma pessoa prática, de ação e inquieto, vai descobrir que apesar de toda técnica e conhecimento moderno, o bom Deus ainda deve ser encontrado na solidão e no silêncio do deserto. Ele escreveu: “É no deserto que nos despojamos, que afastamos de nós o que não é Deus, esvaziando completamente a pequena morada de nossa alma, para deixar todo o lugar exclusivamente só para Deus”.

“Nos primeiros anos do século XX, um francês amante da literatura e da vida de aventuras, renomado explorador, teve a oportunidade de viver uma das mais sugestivas aventuras cristãs do século passado. Charles de Foucauld, o monge que sozinho construía tabernáculos no deserto argelino para “transportar” Jesus para o meio àqueles que não o conheciam nem o buscavam, e que morreu assassinado por aqueles mesmos tuaregues entre os quais escolhera viver, em silêncio e oração, sem ter ganhado entre eles ne­nhum novo cristão. Sua história tão irrepetível constitui um dom de alento e de conforto”, escreveu o jornalista e escritor italiano Gianni Valente (1).

Charles de Foucauld recusou por muito tempo o termo missionário: “A minha vida aqui não é a de um missionário, mas a de um eremita” escreveu a Henry de Castries em 28 de outubro de 1905 (2). A 2 de Julho de 1907, ele escreveu a Mgr. Guérin, destacando as palavras "Eu sou um monge, não um missionário, feita para o silêncio, para não falar " (3). Esta recusa em ser chamado missionário levou-o a querer desenvolver um apostolado da presença silenciosa, "incógnito". Em correspondência, Charles de Foucauld acredita que esta presença é essencial, a fim de "gritar com a vida o Evangelho de Cristo".

Charles de Foucauld afirmou: "Quero passar sobre a terra de maneira obscura como um viajante à noite". "Viver na pobreza, na abjeção, no sofrimento, na solidão, no abandono para estar na vida com o meu Mestre, o meu Irmão, o meu Esposo, o meu Deus, que viveu assim toda a sua vida e me dá esse exemplo desde o nascimento". “A vossa vocação: Pregar o Evangelho silenciosamente como eu fiz na minha vida escondida, e como também fez Maria e José”.

Se para o Bem-aventurado Charles de Foucauld o deserto foi de fato e de verdade o deserto do Saara, onde viveu 16 anos, para seus filhos espirituais este “deserto” consiste agora em participar de retiros espirituais, retirar-se em lugares isolados, de preferência em contato com a natureza, para assim despojamos diante de Deus, poder melhor escutá-lo, adorá-lo e amá-lo eternamente. O deserto pode ser tanto o coração como qualquer lugar, no entanto, que Deus esteja sempre presente.

A experiência do deserto é um profundo encontro com Deus e uma comunhão de amor em prol da missão de gritar o Evangelho de Cristo com a vida. O deserto é um território de provação, de purificação e de vitória, ou seja de aprovação. Não existe vida espiritual sem a experiência do deserto. O deserto está conectado na abissal espiritualidade ortodoxa.

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

Irmãozinho da Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com



Notas:


(2) Foucauld, Letters to Henry de Castries, Paris, Grasset, 1938, p. 177.

(3) Citado em J.-F. Six. Itinerário espiritual de Charles de Foucauld , Paris, Seuil, 1958, p. 280.

Bibliografia

NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto e o Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.

HAMMAN, E. Os Padres da Igreja, São Paulo: Ed. Paulinas, 1980.

LACARRIÈRE, Jacques. Padres do Deserto. São Paulo: Ed. Loyola, 1996.

CHRYSSAVGIS, John. Ware, Kallistos. Ward, Benedicta. In the Heart of the Desert: Revised Edition: The Spirituality of the Desert Fathers and Mothers (Treasures of the World's Religions). Bloomington, Ind.: World Wisdom, 2008. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A DEVOÇÃO A MARIA



Rio de Janeiro (Segunda-feira, 08-05-2017, Gaudium Press) "A devoção a Virgem Maria, Mãe de Deus, é sem dúvida um diferencial em nossa vida cristã, porque, longe de desviar nossa atenção do Cristo, ela nos integra no plano de salvação proposto por Deus e realizado por seu Filho único, Jesus Cristo, que Se encarnou e veio ao mundo por meio dela", afirma o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, em seu mais recente artigo intitulado "A devoção a Maria".



De acordo com Dom Orani, "Nós celebramos as festas de Maria porque é Mãe de Deus, porque nos deu o Salvador. Foi Deus que, em sua infinita sabedoria e bondade, estabeleceu que a redenção da humanidade acontecesse através de seu Filho único nascido de uma Virgem; e a Virgem escolhida foi Maria. Ora, se Deus, o Senhor de todas as coisas, o Infinito e o Absoluto, não se envergonhou de escolher Maria, e a fez Cheia de Graça, para ser a Mãe de seu Filho, por que haveríamos nós, simples mortais, de recusar-nos a ter para com ela uma devoção toda especial?".

"É bom lembrar ainda que a nossa devoção a Maria deve fundamentar-se na inspiração de suas virtudes e no seguimento de Cristo. Quando Cristo disse: "Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga" (Mt 16,24), Ele se colocou como o primeiro e principal modelo a ser seguido. Se nos inspirarmos na fidelidade de Maria, no seu amor a Deus e aos irmãos, com toda a certeza ela nos apresentará e conduzirá pelos caminhos de seu Filho Jesus", escreve.

Ao lermos a Bíblia, prosseguiu o purpurado, "os Evangelhos nos mostrarão que Maria, como a primeira cristã, viveu as virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade. Antes de trazer o Filho de Deus em seu seio, já O trazia no desejo de seu coração, pois como mulher judia esperava e acreditava que Deus um dia enviaria o Messias. Como modelo de caridade, deixa sua casa e vai servir Isabel, sua prima de idade avançada que está grávida, permanecendo com ela os três meses finais (Lc 1,36;56), e ainda estando presente com a Igreja que está nascendo e sendo perseguida. (At 1,14)".

"Foi modelo de um olhar de fé e de esperança, sobretudo quando, na tormenta da paixão do Filho, conservou no coração uma fé total n'Ele e no Pai. Enquanto os discípulos, envolvidos pelos acontecimentos, ficaram profundamente abalados na sua fé, Maria, embora provada pelo sofrimento, permaneceu íntegra na certeza de que se realizaria a predição de Jesus: "O Filho do Homem... ao terceiro dia, ressuscitará" (Mt 17, 22-23). Com este olhar de fé e de esperança, Maria encoraja a Igreja e os cristãos a cumprirem sempre a vontade do Pai, que nos foi manifestado por Cristo e que, através de sua intercessão, sejamos homens e mulheres da Fé, da Esperança e da Caridade", destaca o Arcebispo.



Dom Orani esclarece ao dizer que "o lugar de Maria na liturgia se insere na celebração da obra salvífica do Pai: o Mistério de Cristo. Neste mistério inseriu-se a memória de Maria como Mãe de Cristo, celebrando-se de forma explícita a íntima ligação que a Mãe tem de mistérios da salvação; Maria aparece associada ao Filho em primeiro lugar na Celebração Eucarística, quando se invoca a memória da "sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e Senhor Jesus Cristo" (Oração Eucarística I), as memórias incorporadas pela liturgia da Igreja e aquelas que nascem da experiência de fé das comunidades cristãs. Da tradição perene e viva da fé da Igreja colhem-se as mais significativas expressões da piedade e devoção marianas. (Cfr. Marialis Cultus 9-15)".

Por fim, o religioso rememora que teremos durante todo este ano celebrações diversas em honra a Bem-aventurada Virgem Maria.

"Este ano temos a graça de celebrar os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul, jubileu nacional da Virgem Maria, e os cem anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos. Em Maria, a Igreja evoca e celebra a própria vocação. Pedindo pela paz, convidamos todos os nossos diocesanos a rezarem o Rosário em público nesses abençoados dias de maio deste Ano Mariano", conclui o Cardeal do Rio de Janeiro. (LMI)

Da redação Gaudium Press, com informações Arquidiocese do Rio de Janeiro





Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

OS PASTORINHOS


Ocorreu no dia 13 de maio de 2017 a canonização dos dos mais jovens santos não mártires da Igreja, Francisco e Jacinta Marto. Além deles há São Domingos Sávio, que morreu com 15 anos de idade.

Leia o Livro: "As Memórias da Irmã Lúcia" (para download)
Sobre o terceiro segredo de Fátima, clique aqui e,
se quiser, também aqui.




Fátima - Portugal (Segunda-feira, 08-05-2017, Gaudium Press) De acordo com o site Oficial de Fátima, a Postuladora da Causa de Canonização de Francisco e Jacinta Marto, Irmã Ângela Coelho, apresentou hoje o retrato oficial dos mais jovens santos não-mártires da Igreja Católica.




Irmã Ângela Coelho | Foto: reprodução

Os retratos de Francisco e Jacinta Marto, apresentados em Fátima, tem por base as fotografias que foram utilizadas quando da beatificação dos dois pastorinhos realizada por São João Paulo II no 2000.


Foi acrescentada uma interpretação artística para acentuar trtaços da psicologia dos dois Santos: "Jacinta olha de frente para o observador, em atitude de interpelação; Francisco ergue os olhos ao alto, apontando para uma atitude eminentemente contemplativa", informa a nota da Postulação sobre as duas imagens, encomendadas à pintora Sílvia Patrício, e que vão estar colocadas na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima para a cerimónia de canonização. (JSG)




o que segue é da Wikipédia:



São Francisco de Jesus Marto 



Retrato de São Francisco de Jesus Marto, vidente de Nossa Senhora de Fátima




Nascimento 



Morte 

4 de abril de 1919 (10 anos) em OurémPortugal















São Francisco de Jesus Marto (Aljustrel, Fátima11 de junho de 1908 — Ourém4 de abril de 1919)[1][2] foi um dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora, na Cova da Iria, em Fátima, entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917.

Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 13 de maio de 2000, no Santuário de Fátima, e foi canonizado pelo Papa Francisco, no mesmo local, no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.[3]


Biografia
Filho mais velho de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Francisco era uma criança típica do Portugal rural da época. Como não era obrigatório, ele não frequentava a escola e trabalhava como pastor em conjunto com a sua irmã Jacinta Marto e a sua prima Lúcia dos Santos. Após os eventos que viriam a ser conhecidos como as aparições de Fátima, Francisco ingressou no ensino primário, mas acabou por deixar de assistir às aulas.
Lúcia dos Santos (aos dez anos de idade, no meio) e seus dois primos: Francisco Marto (de nove anos) e Jacinta Marto (de sete anos) segurando seus rosários.

De acordo com as memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito dado, mas calmo, e gostava de música, o qual mostrava habilidade no pífaro. Sendo muito independente nas opiniões, era, no entanto, pacificador, e mostrava-se muito respeitoso pelas pessoas. Conta a sua prima que até os animais não escapavam à sua caridade.

Na sequência das aparições marianas, o comportamento dos dois irmãos alterou-se e desde então Francisco passou a preferir rezar sozinho. Marcado pelas palavras de Nossa Senhora para "que não ofendam mais a Deus", ele retirava-se na solidão "para consolar Jesus pelos pecados do mundo".

As três crianças, particularmente o Francisco, tinham o costume de praticar mortificações e penitências, mas que Nossa Senhora, numa das Suas aparições, pedira moderação. Contudo, como penitência, Francisco deixara de ir à escola e escondia-se para fazer reparação pelos pecadores. É possível que os prolongados jejuns o tenham enfraquecido a ponto de sucumbir à epidemia gerada pela pneumónica que varreu a Europa em 1918, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Ele acabou por falecer em casa em 1919. O seu corpo encontra-se sepultado na Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.

Francisco e a irmã Jacinta Marto foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000. O seu dia festivo é 20 de fevereiro. A sua canonização realizada pelo Papa Francisco ocorreu no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.
Eventos históricosEditar
Os três pastorinhos de FátimaLúcia, Francisco e Jacinta.

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com Francisco Marto:
11 de Junho de 1908 - Nasce em AljustrelFátima.
1916 - Lúcia, Francisco e Jacinta assistem a aparições do Anjo de Portugal.
1917 - De Maio a Outubro, os três pastorinhos afirmam ver Nossa Senhora na Cova da Iria.
23 de Dezembro de 1918 - Jacinta e Francisco adoecem, vítimas de pneumónica.
4 de Abril de 1919 - Morre na casa da sua família, em Aljustrel. É sepultado no cemitério de Fátima.
13 de Março de 1952 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica de Fátima. É sepultado junto de sua irmã Jacinta.
13 de Maio de 1989 - O Papa João Paulo II publica o decreto que proclama a heroicidade das virtudes dos videntes Francisco e Jacinta Marto.
13 de Maio de 2000 - Beatificação em Fátima dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto pelo Papa João Paulo II.
11 de Março de 2010 - Celebração do centenário do seu nascimento com a audiência do Papa Bento XVI.
12 e 13 de Maio de 2010 - O Papa Bento XVI visita o Santuário de Fátima no 10.º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco.[4][5]
23 de Março de 2017 - O Papa Francisco aprova o milagre necessário para a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto.[6]
20 de Abril de 2017 - O Papa Francisco confirma a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto para o dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.[7]
12 e 13 de Maio de 2017 - O Papa Francisco visita como peregrino o Santuário de Fátima, na comemoração do centenário das Aparições. No dia 13 preside à celebração eucarística e canoniza o beato Francisco juntamente com a sua irmã Jacinta. Os dois irmãos são os mais jovens santos não-mártires na história da Igreja Católica.[8]


Santa Jacinta de Jesus Marto

Retrato de Santa Jacinta de Jesus Marto, vidente de Nossa Senhora de Fátima.
Nascimento 11 de março de 1910 em Aljustrel, FátimaPortugal
Morte 20 de fevereiro de 1920 (9 anos) em LisboaPortugal
Atribuições Devoção ao Santo Padre


Santa Jacinta de Jesus Marto (Aljustrel, Fátima11 de março de 1910 — Lisboa20 de fevereiro de 1920)[1][2] foi uma dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917.

Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 13 de maio de 2000 no Santuário de Fátima, e foi canonizada pelo Papa Francisco no mesmo local no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.[3]



Biografia


Filha mais nova de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Jacinta era uma criança típica do Portugal rural da época. Como de início não frequentava a escola, Jacinta trabalhava como pastora em conjunto com o seu irmão Francisco Marto e a sua prima Lúcia dos Santos. Mais tarde, logo após as aparições na Cova da Iria e segundo as mensagens recebidas, por recomendação de Nossa Senhora entrou na escola primária. De acordo com as memórias da Irmã Lúcia, Jacinta era uma criança afectiva e muito afável e emocionalmente frágil.
Lúcia dos Santos (aos dez anos de idade, no meio) e seus dois primos: Francisco Marto (de nove anos) e Jacinta Marto (de sete anos) segurando seus rosários.

Na sequência das aparições, os dois irmãos foram influenciados porque terão visto o inferno, durante a terceira aparição (em Julho de 1917). Deslumbrada com a triste sorte dos pecadores, na sua simplicidade, decide responder ao apelo da Virgem Maria e fazer penitência e sacrifício pela conversão dos pecadores.

As três crianças, mas particularmente Jacinta, praticavam mortificações e penitências. É possível que prolongados jejuns a tenham enfraquecido ao ponto de ter sucumbido à epidemia gerada pela pneumónica que varreu a Europa em 1918, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, esteve acolhida temporariamente no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela n.º 17, em Lisboa (atual Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, junto ao Jardim da Estrela), o qual foi fundado e dirigido pela Madre Maria da Purificação Godinho, acabando por falecer a 20 de fevereiro de 1920, no Hospital de Dona Estefânia da mesma cidade.[4]

Jacinta Marto foi beatificada, juntamente com o seu irmão Francisco, pelo Papa João Paulo II a 13 de maio de 2000; é a cristã mais nova não-mártir a ser beatificada. O seu dia festivo é 20 de fevereiro; no dia 11 de março de 2010 celebrou-se o Centenário do nascimento da Beata Jacinta Marto, com a audiência do Papa Bento XVI. A sua canonização foi realizada pelo Papa Francisco no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.

As aparições particulares a Jacinta


De acordo com As Memórias da Irmã Lúcia, Jacinta Marto, posteriormente às aparições de Fátima, terá recebido ainda algumas aparições particulares de Nossa Senhora. Dessas aparições marianas particulares, a Irmã Lúcia destacou as seguintes:
Jacinta vê o Santo Padre - Lúcia assim relata na sua Terceira Memória: "Um dia, fomos passar as horas da sesta para junto do poço de meus pais. A Jacinta sentou-se nas lajes do poço; o Francisco, comigo, foi procurar o mel silvestre nas silvas dum silvado duma ribanceira que aí havia. Passado um pouco de tempo, a Jacinta chama por mim: – Não viste o Santo Padre? – Não! – Não sei como foi! Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-Ihe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por Ele. Em outra ocasião, fomos para a Lapa do Cabeço. Chegados aí, prostrámo-nos por terra, a rezar as orações do Anjo. Passado algum tempo, a Jacinta ergue-se e chama por mim: – Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre em uma Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com Ele?

Visões da guerra - "Um dia fui a sua casa, para estar um pouco com ela. Encontrei-a sentada na cama, muito pensativa. – Jacinta, que estás a pensar? – Na guerra que há-de vir. Há-de morrer tanta gente! E vai quase toda para o inferno! Hão-de ser arrasadas muitas casas e mortos muitos Padres (tratava-se da Segunda Guerra Mundial). Olha: eu vou para o Céu. E tu, quando vires, de noite, essa luz que aquela Senhora disse que vem antes, foge para lá também! – Não vês que para o Céu não se pode fugir? – É verdade! Não podes. Mas não tenhas medo! Eu, no Céu, hei-de pedir muito por ti, por o Santo Padre, por Portugal, para que a guerra não venha para cá, e por todos os Sacerdotes.

Visitas de Nossa Senhora - A 23 de Dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram ao mesmo tempo. Indo visitá-los, Lúcia encontrou Jacinta no auge da alegria. Na sua Primeira Memória, Lúcia conta: "Um dia mandou-me chamar: que fosse junto dela depressa. Lá fui, correndo. – Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito; que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria e por amor de Jesus. Perguntei se tu ias comigo. Disse que não. Isto é o que me custa mais. Disse que ia minha mãe levar-me e, depois, fico lá sozinha! 

Em fins de Dezembro de 1919, de novo a Santíssima Virgem se dignou visitar a Jacinta, para lhe anunciar novas cruzes e sacrifícios. Deu-me a notícia e dizia-me: – Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem os meus pais; que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela buscar para o Céu. Durante a sua permanência de 18 dias no hospital em Lisboa, Jacinta foi favorecida com novas visitas de Nossa Senhora, que lhe anunciou o dia e a hora em que haveria de morrer. Quatro dias antes de a levar para o Céu, a Santíssima Virgem tirou-lhe todas as dores. Nas vésperas da sua morte, alguém lhe perguntou se queria ver a mãe, ao que ela respondeu: - A minha família durará pouco tempo e em breve se encontrarão no Céu… Nossa Senhora aparecerá outra vez, mas não a mim, porque com certeza morro, como Ela me disse".[5]

Eventos históricos

Os três pastorinhos de FátimaLúciaFrancisco e Jacinta.

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com a vida de Jacinta Marto:
11 de Março de 1910 - Nasce em AljustrelFátima.
1916 - Lúcia, Francisco e Jacinta assistem a aparições do Anjo de Portugal.
1917 - De Maio a Outubro, os três pastorinhos afirmam ver Nossa Senhora na Cova da Iria.
23 de Dezembro de 1918 - Jacinta e Francisco adoecem, vítimas de pneumónica.
21 de Janeiro de 1920 - É levada para Lisboa, onde fica internada no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela, n.º 17, actual Mosteiro do Imaculado Coração de Maria. No dia 2 de Fevereiro de 1920 é levada para o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.
20 de Fevereiro de 1920 - Morre no Hospital de Dona Estefânia. É sepultada no cemitério de Vila Nova de Ourém, no jazigo da família do Barão de Alvaiázere.
12 de Setembro de 1935 - Os seus restos mortais são trasladados para o cemitério de Fátima, data em que a urna foi aberta e revelado o seu corpo incorrupto.
1 de Maio de 1951 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima, onde é sepultada.
13 de Maio de 1989 - O Papa João Paulo II publica o decreto que proclama a heroicidade das virtudes dos videntes Francisco e Jacinta Marto.
13 de Maio de 2000 - Beatificação em Fátima dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto pelo Papa João Paulo II.
11 de Março de 2010 - Celebração do centenário do seu nascimento com a audiência do Papa Bento XVI.
12 e 13 de Maio de 2010 - O Papa Bento XVI visita o Santuário de Fátima no 10.º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco.[6][7]
23 de Março de 2017 - O Papa Francisco aprova o milagre necessário para a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto.[8]
20 de Abril de 2017 - O Papa Francisco confirma a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto para o dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.[9]
12 e 13 de Maio de 2017 - O Papa Francisco visita como peregrino o Santuário de Fátima, na comemoração do centenário das Aparições. No dia 13 preside à celebração eucarística e canoniza a beata Jacinta juntamente com o seu irmão Francisco. Os dois irmãos são os mais jovens santos não-mártires na história da Igreja Católica.[10]

Referências


 Biografia da Beata Jacinta de Jesus Marto - Site oficial do Vaticano.
 António Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima nos manuscritos da Irmã Lúcia, 23.ª edição, Maio de 1998, Depósito Legal n.º 123 914, ISBN 972-95919-0-3 (página 35)

 Idem (páginas 59 a 66)
 «Fátima: Conferência Episcopal Portuguesa congratula-se com aprovação da canonização de Francisco e Jacinta». Agência Ecclesia. agencia.ecclesia.pt. 23 de março de 2017. Consultado em 23 de março de 2017

 «Fátima 2017: Canonização de Francisco e Jacinta exigiu «revolução» na Igreja». Agência Ecclesia. agencia.ecclesia.pt. 11 de maio de 2017. Consultado em 13 de maio de 2017


Ligações externas

Capelinha das Aparições – Emissão em direto
Peregrinos de Fátima – Página oficial