terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ESCLARECIMENTO

PARA VOCÊ VER QUASE TODAS AS EXPERIÊNCIAS COMO A NOSSA, DE UM EREMITISMO PARCIAL, MESMO PARA PESSOAS CASADAS, NÃO DEIXE DE ACESSAR ESTE LINK: VIDA EREMÍTICA PARCIAL


Há muitas ilusões quando se refere à vida eremítica, e muitos perigos, como já percebiam santos famosos como São Basílio, Sto. Agostinho, São Bento, Carlos de Foucauld.
Thomas Merton, famoso monge norte-americano, diz, em seu livro também famoso “Homem algum é uma ilha”, à página 211:>
O ascetismo do falso solitário é sempre falso. Pretende amar os outros, mas os odeia. Pretende detestar as criaturas, mas as ama. E como as ama no mau sentido, só consegue odiá-las. Por conseguinte, a nossa reclusão, enquanto for imperfeita, há de tingir-se de amargura e desgosto, porque nos esgotará por um constante conflito. O aborrecimento é inevitável. A amargura, que não devia haver, está lá, no entanto.(...) O  verdadeiro solitário tem de reconhecer a sua obrigação de amar as pessoas e as criaturas de Deus(...),é um dever que não é nunca amargo”.
Homem algum, em todos os tempos, será capaz de viver uma vida contemplativa como Jesus. No entanto, ele nunca foi eremita. Viveu a maior parte da vida como qualquer cristão leigo vive, ou seja, a “Vida de Nazaré”, como tanto falo nos meus blogs e sites. Ele viveu 30 anos em família e 3 anos pregando. Será que isso não quer dizer nada para nós?
Jesus muitas vezes precisava se isolar mentalmente dos outros para orar, como em Lucas 9, 18: “Estando (Jesus) orando a sós no meio dos discípulos...”
Aliás, Thomas Merton escreve sobre isso já no fim do livro citado:
A pura solidão interior encontra-se na virtude da esperança. A esperança nos retira inteiramente deste mundo, embora aí continuemos em corpo. (...) Somos sepultados em Cristo, a nossa vida se esconde com Ele em Deus, e sabemos o que significa a liberdade em Cristo. Essa, a verdadeira solidão, em torno da qual não há disputas nem questões. A alma que então se encontrou a si mesma gravita em direção do deserto, mas não faz objeção em permanecer na cidade, porque está só em toda a parte” (pág. 213).
Podemos viver a contemplação em qualquer tipo de vida, bastando disciplinarmo-nos nos horários e nos nossos costumes. Dizia o Pe. René Voillaume, grande orientador e escritor, que dificilmente vai orar a pessoa que fica horas a fio sentada diante de uma televisão (livro “Irmão de Todos”, resumido no nosso site).
Outra coisa que vejo por aí é a mania de achar que as virtudes dependem só de nós. Engano! Eu lutei e batalhei como um louco (ou seria melhor como um bobo) até entender orientações bíblicas, como o salmo 126 (127):
“Se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os construtores; (...) É inútil que madrugueis, e que atraseis o vosso deitar para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado (Deus) o dá enquanto dorme!”.
1ª Pedro 5,6-7: “Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que na ocasião própria vos exalte; lançai nele toda a vossa preocupação porque é ele quem cuida de vós!”.
Aos 23 anos eu chefiava o setor “expedição” de um Banco em São Paulo. O meu trabalho era à tarde, o mesmo que um colega fazia de manhã. A diferença entre nós é que eu buscava a ajuda de Deus no meu trabalho mas ele buscava apenas a própria força. O resultado logo se percebeu: o meu trabalho rendia mais e eu ainda tinha tempo para ir assistir as Vésperas no Mosteiro de São Bento, bem perto do Banco. Ele me perguntou, certo dia, sobre isso. Ele não entendia! Eu lhe citei, então, esse salmo acima.
Gente amiga, todos nós somos fracos e indefesos. A madre Teresa de Calcutá, ou o Papa São João Paulo II não eram mais fortes do que nós. Apenas rezavam mais do que nós e confiavam mais na Graça divina. Só isso!
Quando nos sentirmos fracos para adquirir uma virtude, peçamo-la a Deus e Ele no-la dará. O que Jesus pede nada mais é do que “Vigiar e Orar”. O resto, ele faz. A oração, no entanto, deve ser contínua: “(...) para mostrar a necessidade de orar sempre, sem jamais esmorecer...” (Lucas 18, 1). Santo Agostinho dizia que oramos sempre quando procuramos em tudo a vontade de Deus e sempre nos conservamos na sua Graça. Aí, se nos conservarmos sem pecado, o próprio trabalho se torna uma oração. Os monges russos rezavam mais de 3000 vezes por dia esta oração: "Jesus, Filho do Deus vivo, tende piedade de mim"!
Quanto à penitência e mortificações necessárias, não é preciso procurá-las! Elas vêm até nós! Só pelo fato de lutarmos para conservarmos ou obtermos as virtudes (essa luta é sempre confiando na graça de Deus, como eu disse acima), isso já é uma penitência.
Não adianta, por exemplo, você fazer um jejum rigoroso de alimentação e gastar um tempo precioso vendo tevê! Tenha um costume de se alimentar bem e sem exagero e isso já é uma penitência. Como dizemos na nossa Fraternidade Jesus Cáritas, que segue a espiritualidade do Beato Carlos de Foucauld, devemos sempre escolher os meios pobres, tanto de vida como de pregação. Essa escolha dos meios pobre já é uma penitência.
Aliás, o próprio Irmão Carlos de Foucauld era eremita no deserto do Saara, em Tamanrasset (veja no site e blog Gritar o Evangelho com a Vida), mas recebia DIARIAMENTE cerca de 50 a 60 hóspedes! E isso em pleno deserto! Ele mesmo relata isso em seus escritos. Se ele não tivesse um esquema próprio para contornar essa situação, não iria viver a contemplação.
Há um amigo meu que foi caluniado covardemente e está preso. Ele procura viver a vida parecida com a eremítica dentro do presídio, vivendo com outros vinte e quatro presos em sua cela, e mais outro tanto das outras celas. Como obter o silêncio? É quase impossível! O rádio e a tevê em último volume, e um berrando com o outro para ser ouvido. Mas ele conta passagens belíssimas de seus encontros com Deus. Ele me escreveu muito, e eu transformei essa experiência dele em poesias, como vocês podem ver no nosso site Eremitas Vivendo Nazaré. Também podem ser vistos os relatos da prisão.
Concluindo: o demônio nos rodeia como leão, pronto para nos devorar, como diz a 1ª carta de Pedro. Ele coloca muitas mentiras em nossa mente, a fim de nos conquistar. O critério para nossa ação deve ser a mesma de Jesus: a pessoa do irmão. Essa é a forma de sabermos se nossas aspirações são corretas, são de acordo com a vontade divina.
Termino com outra frase desse monge magnífico, o Thomas Merton:

“Se ano os outros em Deus, posso encontrá-los sem me afastar de Deus. Se busco a Deus nos outros, encontro-O  sem me afastar deles. Nos dois casos, quando a caridade é plenamente madura, o irmão que amo não representa para mim uma distração de Deus, em quem termina o meu amor.”.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

MENSAGEM DE N. SRA.

MENSAGEM DE NOSSA SENHORA AO VIDENTE JAKOV COLO EM 25 DE DEZEMBRO DE 2016

Queridos filhos,
Hoje, neste dia de graça, de modo particular, vos convido a rezar pela paz. 

Filhos, eu vim aqui como Rainha da Paz e quantas vezes vos chamei a rezar pela paz, porém, os vossos corações estão agitados, o pecado vos impede de abrir-se completamente à graça e paz que Deus vos quer dar. 

Viver a paz, filhos meus, significa antes ter a paz nos vossos corações e doar-se totalmente a Deus e a Sua vontade. Não procureis paz e alegria nas coisas terrenas porque tudo isso é passageiro. 

Esforçai-vos através da Verdadeira Misericórdia e paz que vem somente de Deus e só assim os vossos corações estarão cheios de alegria sincera e só assim podereis se tornar testemunhas de paz neste mundo agitado.

Eu sou a vossa Mãe e intercedo por cada um de vós. Obrigada por terdes respondido ao meu chamado.

Sobre os 20 anos de aparições:



20 de outubro de 2016, Stephen Ryan

Nossa Senhora nos disse: “Eu peço que vocês perseverem na oração, para que, com vocês eu possa realizar meus planos”. Eu acho que Nossa Senhora está realizando o Triunfo do Seu Imaculado Coração, como ela disse em Fátima … Vidente Marija

Entrevista por telefone entre Marija Pavlovic-Lunetti e o Pe. Livio (Radio Maria) no 25 de junho de 2016

Pe. Livio: Quando você teve a aparição no 25 de junho de 1981, você poderia imaginar que iria durar tanto tempo?

Marija: Não, nós não poderíamos imaginar. Todos os dias estamos vivendo esta graça. Eu não sei se você pode entender: para nós a presença da Virgem Maria e suas aparições não se tornaram um hábito, mas ainda é uma surpresa, um presente, uma graça; é o céu que desce sobre a terra. Esta noite na sacristia antes da missa eu estava falando com os frades e freiras. Eles estavam comovidos por ver a estátua de Nossa Senhora, carregada em uma procissão com muitas flores no meio de todas as pessoas e com tantos sacerdotes que foram até o altar. Eles disseram que seus corações ficaram sensibilizados. Então eu sorri e disse: “vocês se deliciam em ter visto uma estátua! E eu vejo a real Nossa Senhora, que desce do céu! ” Eu ainda me engasgo até hoje e agradeço a Deus por este grande dom.

Fr. Livio: Por que você acha que ela está presente há tanto tempo?

Marija: “Porque eu acho que nós estamos passando por um momento difícil e o homem perdeu Deus. A Bíblia nos diz: “Maldito o homem que confia no homem” [Jer 17: 5]. Em vez disso, infelizmente, estamos confiando no homem e não em Deus. Por esta razão, Nossa Senhora aparece e diz-nos, “volte para Deus, porque sem Deus, você não tem futuro, não tem vida eterna”.

Fr. Livio: Você pode nos falar sobre 25 de junho de 1981 quando viu Nossa Senhora pela primeira vez? Por que você e Jakov não estavam presentes no dia 24 ?.

Marija: Nenhum de nós poderia imaginar ou pensar que Nossa Senhora iria aparecer novamente. O primeiro dia, 24 de junho, Nossa Senhora apareceu no monte com o menino Jesus em seus braços, ele estava coberto com um véu que às vezes ela descobria para mostrar-Lo. Aqueles que viram tinham o desejo e a necessidade de voltar no dia seguinte sob a colina para ver se Nossa Senhora iria aparecer novamente. Já que era o tempo do comunismo, meus pais temiam por minha irmã Milka, que tinha visto Nossa Senhora no dia anterior, que ela fosse levada por eles.

Durante o tempo do comunismo, muitos acabaram na prisão, e muitos foram levados pela polícia para nunca mais voltar. Ninguém sabe onde eles estão enterrados. Eu estava em casa fazendo o jantar e Vicka chamou minha irmã porque ela sentiu a necessidade de ir lá [Monte das Aparições], minha irmã não estava lá, só eu e Jacov. Fomos com ela – mais por curiosidade. Nossa Senhora estava no morro e nos chamou. Nós ficamos com medo … Ao subir, as pedras, os espinhos, os arbustos, era como se não existissem, parecia que flutuávamos como nuvens. Os primeiros dias esperávamos no sopé da colina e quando Nossa Senhora aparecia, caminhávamos até ela. Estas foram as experiências dos primeiros dias. As pessoas tentavam nos seguir, mas subíamos mais rápido. Eles diziam que parecíamos deslizar.

Fr. Livio: No dia 26 de junho, depois da aparição, você teve uma aparição muito especial.

Marija: Sim, Nossa Senhora apareceu na colina e depois da aparição eu estava descendo uma pista de terra que chamamos de “ovelhas”, porque eu queria chegar em casa rapidamente, para evitar todas essas pessoas que vieram porque tinham ouvido falar sobre a presença da Virgem Maria. As pessoas continuavam chegando, dia e noite. No que eu corria, Nossa Senhora veio até mim e disse. “Paz, paz, paz e somente paz; paz deve reinar entre o homem e Deus, e entre todas as pessoas!”. Esta foi a primeira mensagem que Nossa Senhora deu e ela estava chorando. Depois de alguns dias Nossa Senhora disse que veio aqui como “Rainha da Paz”. Fiquei chocada. Éramos crianças e eu apenas pensei que isso parecia demais. Quando cheguei à casa, comecei a chorar e eu disse que Nossa Senhora chorou e disse: “Paz! Façam a paz entre vocês! Reconciliem-se! ” E muitas famílias, bem como muitos irmãos, que estavam na guerra, fizeram paz. Lembro-me de meus amigos da escola, sabendo como era uma menina tímida, ficaram surpresos ao ver que eu estava gritando “paz!”. E eles disseram que o Espírito Santo estava em mim.

Não fomos nós, mas foi a presença da Virgem Maria que nos mudou. Nós não tínhamos mais medo de nada, nem mesmo da prisão, nem da morte, nada. Em nossos corações e em nossas mentes havia Nossa Senhora com a sua presença e as suas mensagens.

Isto consumia nossa vida e nos enchia de alegria. Com Nossa Senhora, nos sentíamos como se estivéssemos no céu … Nossa casa sempre foi cercada. Minha pobre mãe disse: “nossa casa não é mais nossa, tornou-se como a estação de trem!”. As pessoas vinham, iam, bisbilhotando e fomos dando-lhes comida, bebida, tudo o que tínhamos … Eu estava me perguntando por que isso aconteceu a mim. Eu não sou melhor do que ninguém. Ficamos todos surpresos. Mesmo meus pais não sabiam o que fazer e nunca poderia pensar por que Nossa Senhora escolheu a nossa família. Eles começaram a orar: “Seja feita a vossa vontade”.

Livio: Nesta mensagem [25 de junho de 2016] Nossa Senhora diz que conosco , ela pode realizar seus planos …

Marija: Nós não sabemos o que os planos de Deus e de Nossa Senhora são, mas esta noite, Nossa Senhora nos disse: “Eu os chamo a perseverar na oração, para que, com vocês eu possa realizar meus planos”. Eu acho que Nossa Senhora está realizando o Triunfo do Seu Imaculado Coração, como ela disse em Fátima, mesmo através de nós porque nós dissemos sim à santidade, sim para viver suas mensagens, sim a viver os mandamentos de Deus, sim à vida sim à lei de Deus … Nós somos pobres instrumentos, mas quando o Senhor nos assume, nos transforma …

Hoje damos graças por todos aqueles que vivem as mensagens de Nossa Senhora … Agora vou me juntar aos outros na adoração a Jesus, para Lhe agradecer este dia. Finalmente eu digo, Medjugorje é a Virgem Maria, é a mãe, é a Mãe Celestial. Enquanto Ela está conosco e nos guia, estamos em paz; porque ela é a nossa esperança, Ela é a estrela que está nos levando ao seu Jesus. Vamos dar-lhe todo o nosso passado e ser guiados por ela. Consagrar-nos ao seu Coração Imaculado, para que possamos ser semelhante à Ela. Por isso, vou orar por vocês a Jesus agora, com todo o meu coração.

Marija rezou o “Magnificat” eo Glória ao Pai.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL E ANO NOVO!

F rente a frente convosco, Senhor,
E u me sinto em falta,
L uto na ação social, no amor,
I nerte diante dos males do mundo,
Z eloso por mim, indiferente pelos outros.

N as palhas do presépio me ensinais
me encontrar convosco nos pobres,
T anto nos da matéria como nos do espírito,
A mpará-los, socorrê-los,
L evá-los a conhecer-vos, a amar-vos.

E nsinai-me, Senhor, a amar, a partilhar!

A o ver tanta miséria e tanta dor,
N utro no coração um grande amor,
O ro com ternura, peço-vos perdão.

este mais um Natal em minha vida,
O uço as vozes dos que vos clamam,
V olto-me a vós e vos imploro:

O lhai por todos nós, Senhor,e dai-nos a   vossa paz!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O NATAL VEM CHEGANDO!

        
      O nosso tempo é especialista em transformar coisas e pessoas em mercadoria. Não é por acaso que são construídos em toda a parte os mega-shoppings e mega-supermercados para acolher mais produtos e mais consumidores. O mundo religioso também não escapou a essa dolorosa realidade. Além das farmácias que vendem as mais diferentes drogas para acalmar as dores que acumulamos dentro de uma existência vazia e indiferente, encontramos também recintos religiosos que garantem curas fantásticas e riquezas incalculáveis, desde que, generosa e voluntariamente contribuamos com os nossos dízimos e ofertas. Ao que parece, ir ao supermercado para as compras ou ao templo nos momentos de angústia se tornou a mesma coisa. O nosso jeitinho de viver participa muito mais do mundo das conveniências do que das convicções. O mundo religioso vem se tornando mais o espaço das exibições que do testemunho, de modo que vale mais o espetáculo que o conteúdo dele.
      Este é o nosso momento: o do consumo inveterado de tudo o que achamos que pode ser bom! As nossas convicções interiores, inexpressivas e frágeis, necessitam de mil-e-uma luzinhas exteriores para garantir a sensação de que tudo está bem. Quando fazemos muita questão de brilhar por fora é porque, por dentro, a luz do sentido da vida está um tanto bruxuleante. E assim continuamos doentes de corpo e de alma, mas consumindo sempre mais para levantar a nossa baixa auto-estima.
      E aí vem o Natal, o filé mignon das indústrias e comércios. Os outdoors proclamam a festança do consumo, as propagandas manifestam sua profissão de fé nos mimos que prometem satisfazer os nossos mais íntimos desejos e as vendas on-line exibem os mais recentes produtos que podem trazer muito prazer. Desse modo, os que podem se dar ao luxo de comprar o supérfluo exibem suas coleiras de ouro, os menos favorecidos se endividam por mais um ano ou mais e os desvalidos da vida ficam aguardando as migalhas que podem cair das mesas ricas nestes tempos de ternura ocasional ou de justificativas das riquezas. Afinal, insistimos em provar que nossas riquezas, justas ou injustas, procedem das mãos do Todo-Poderoso!
      Sabemos que no Natal celebramos o aniversário de Jesus, que nós, cristãos, reconhecemos como Senhor e Salvador de nossas vidas. Sabemos também que a festa que realizamos em sua honra pode e deve ter brilhos exteriores, mas ela deve manifestar sobretudo o brilho que vai por dentro de todos nós. Afinal, temos motivos de sobra para o júbilo incontido, pois fomos  e somos agraciados com o mais significativo dos presentes que poderíamos receber: o próprio Filho de Deus, em carne e osso, assumindo o jeito humano de ser e fazendo parte de nossas vidas.
      Ele não traz em suas costas um saco de presentes, nem tenta entrar sorrateiramente pelas chaminés das casas e não faz propaganda nos shoppings e tevês. Ao contrário, Ele não distribui presentes, Ele é o presente. Não entra escondido em nossas casas, Ele vem fazer parte dela. Também não explora e não vende nada, ELE é a gratuidade em pessoa. O seu valor se encontra Nele mesmo e não nas vestes que usa, no sapato que calça, na casa que mora nem na comida que come. Ele basta a si mesmo e não vive do espetáculo das exterioridades. Se assim não fosse teria nascido num rico e bonito palacete na famosa Jerusalém e não em um estábulo na periferia de Belém.
      O nosso aniversariante não quer que vivamos angustiados com o que temos ou deixamos de ter. A sua vida simples e sábia provou que não precisamos do supérfluo para viver. Além do mais, Ele não é mercadoria, é o nosso Deus!
      Meu Irmão, minha Irmã! O melhor seria tomarmos a mesma a atitude de sua mãe Maria e nos abrirmos ao Espírito Santo de Deus e deixarmos nos engravidar de Jesus. Depois de inebriarmos com a sua presença, podemos, de verdade, sentir e desejar a todos um Feliz Natal!

Prof. João J. C. Sampaio

Curso de Filosofia

Universidade de Sorocaba

Rodovia Raposo Tavares Km 92,5

Sorocaba/SP.

                                                                    

DIANTE DO SANTÍSSIMO

30/10/16
Estar diante do sacrário, diante do Santíssimo, é como estar no céu, diante de Deus. O próprio Jesus está ali, à nossa frente, ouvindo-nos e falando conosco.
A vantagem é que nós não precisamos deixar de lado nosso dia-a-dia, o “mundo”, mas podemos trazer tudo o que estamos vivendo e coloca-lo diante do Senhor.
Ele é homem como nós, de Deus como o Pai e o Espírito Santo, e intercede por nós diante de Si mesmo, pois é 100% Deus. É o homem sentindo nossas queixas humanas, mas acolhendo-as como Deus que é.
Hoje é domingo. Tive um dia cheio, muitas conversas, muitas distrações. São 18 horas e estou terminando a minha Hora Santa diária. Coloquei tudo o que vivi hoje diante de Jesus, pena que de modo imperfeito, às vezes com cochilos e distrações involuntárias, mas com resultado incrível de paz e de harmonia internas. Eu rezei também por você, leitor (a).
A contemplação não é uma ilusão, mas uma veraz realidade, maravilhosa, que nos une amorosamente com nosso Salvador e Redentor.
Quando eu era jovenzinho, durante as missas em latim, eu lia a tradução em português e o povo repetia. Até agora sei de cor o que eu lia na hora da Consagração, num livrinho de Dom Henrique Golland Trindade, de Botucatu, no livrinho “sigamos a missa”. Era mais ou menos assim:
“A consagração. Grande silêncio, recolhimento profundo. É o momento soleníssimo! O momento santamente terrível, em que tremem os anjos e os homens de fé. O Deus vivo, o Deus santo e justo desce tão perto de nós. Adoremo-lo, e digamos, como o  apóstolo, antes incrédulo, olhando para a hóstia e para o cálice: “Meu Senhor e meu Deus!”. É o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”!
Eu não sei o que seria de mim se não fosse a Eucaristia. É Jesus Eucarístico que tem-me dado forças e coragem para vencer tudo o que eu tenho passado na vida. Quem me conhece sabe do que estou falando.
Aqui eu estou simplesmente repassando para vocês o que tenho sentido e vivido todos esses anos de minha velhice: estar com Jesus Eucarístico é estar no paraíso, é fortalecer-se, irmanar-se, é perceber o quanto Deus nos ama.
E, diante do sacrário, dentro de uma harmonia maravilhosa, sinto também a presença viva de Maria, que nunca deixa Jesus, e do meu anjo da guarda, o Ambrósio.

Não sei mais o que dizer para explicar essa maravilha. Só lhes digo uma coisa: estar diante do sacrário é o paraíso. 

O ESTABILIZADOR DE ENERGIA


22/10/16

Quando criança morávamos num lugar em que a energia não passava de 90 volts. Era necessário um “transformador” pequeno, tipo estabilizador, a fim de podermos ligar alguns aparelhos eletrônicos, como o rádio a válvulas e, mas tarde, no final dos anos 60, a televisão, que também era a válvula.
Hoje, lendo um trecho de São Paulo aos Efésios, vi que nossos sofrimentos, orações, esforços, são “plenificados” por Cristo (Efésios 4,7-16). Lembrei-me do estabilizador (ou transformador) e percebi que Jesus faz justamente isso conosco: quando nos colocamos totalmente à mercê dele, ele une os nossos pequenos sofrimentos, as nossas pobres orações, as nossas pequenas boas ações, aos sofrimentos dele, como diz Colossenses 1,24: “Completo em minha carne o que falta à paixão de Cristo”.
Jesus completa os méritos de nossas ações e as “amplifica” como aquele transformador da minha infância. Sem o transformador não dava para ouvir o rádio grande de válvulas. Sem o auxílio e a Graça de Jesus não temos merecimento algum diante do Pai.
É claro que se nada fizermos para mudar nossa vida para melhor, para cada vez mais nos unirmos a Deus por meio de uma união amorosa e sincera com os irmãos, não há “entrada de energia” para que Jesus possa “amplificar”. Sem eletricidade o transformador ou o estabilizador de energia não serve para nada. É uma peça inútil, que talvez só sirva como peso para papéis.
Diz o documento da Igreja Lumen Gentium que sem Deus, a criatura se reduz a nada.
É preciso, então, que eu sempre me esforce para estar sempre unido a Deus pela oração e dar minha vida a ele, a fim de que me oriente, me corrija e me fortaleça com seus dons e assim ter algo nas mãos e no coração para oferecer-lhe e por ele ser transformado, amplificado, plenificado. E você, irmão, irmã, o que pensa disso?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CONSAGRAÇÃO DE UM EREMITA











No dia 12 de agosto (2016) sexta-feira, às 19h30, na Comunidade Santa Rosa de Lima, da Paróquia de São Sebastião, em Amparo, o bispo Dom Luiz Gonzaga Fechio acolheu, em uma missa festiva, os votos de vida eremítica de Vanderlei de Lima.

Concelebraram com Dom Luiz os padre Carlos Roberto Panassolo, pároco da Paróquia de São Sebastião, Bruno Roberto Rossi, Paróquia São Francisco de Assis e chanceler da Diocese, e Edimundo Dias Freitosa, da Diocese de Macapá, no Amapá, presente especialmente para os votos, na capela repleta de fiéis da própria comunidade e de amigos do neo consagrado vindos de outras comunidades e cidades.

Na homilia, Dom Luiz destacou a importância de se entregar a Deus nos diversos modos de doação na Igreja: sacerdócio ministerial, diaconato, vida leiga comum ou consagrada e a vida religiosa. Disse o bispo que em cada momento e lugar é preciso servir a Deus com amor aos irmãos e irmãs. Dom Luiz mencionou também os trabalhos que o agora Irmão Vanderlei de Lima desempenha e continuará a desempenhar, de modo recolhido, silencioso e atuante, para o bem do povo de Deus.
Terminada a Oração da Comunidade, teve início o Ato de Consagração com o chamado do candidato pelo bispo. Tendo respondido “Presente”, que significa o sim e a aceitação do apelo a seguir Jesus Cristo mais de perto, Vanderlei se ajoelhou e leu a fórmula de consagração apoiada no cânon 603 § 2 do Código de Direito Canônico. Por ela se comprometeu à vida de pobreza, castidade e obediência além da estabilidade na Diocese de Amparo, onde fez os votos, segundo antigo costume nesse modelo de vida.

Terminada a leitura, o bispo fez, de mãos estendidas sobre o neo consagrado, a longa oração apropriada para receber esses votos. Ela lembra que Deus distribui à Igreja os seus carismas para que cada fiel sirva a Ele nos vários modos de vida; pede que o Espírito Santo venha sobre o consagrado a fim de ter ele forças para demonstrar ao mundo a doutrina do Evangelho e se coloque a serviço dos irmãos e irmãs para receber já neste mundo o cêntuplo prometido e no céu a herança eterna.

Feita a oração, foi assinada sobre o altar a fórmula de profissão pelo Irmão Vanderlei e por Dom Luiz, depois pelo padre Carlos Panassolo e Ir. Irma Madalena Calgarôto, das Franciscanas do Coração de Maria, como testemunhas canônicas do ato. A seguir, o neo consagrado, ajudado pelo Pe. Bruno e pela Ir. Irma, se revestiu de seu hábito próprio: a veste talar branca, como uma túnica (estar revestido de Cristo), e sobre ela o escapulário (proteção da Virgem Maria e o serviço, já que, no século VI, por exemplo, ele servia de uma espécie de proteção para não sujar o hábito durante os trabalhos) com um longo capuz (recolhimento) além de um cinto preto de couro (estar sempre preparado ou cingido), enquanto se cantava o canto “Deixa tua terra”, apropriado para o momento.

Depois da missa, os presentes tiveram a oportunidade de cumprimentar o bispo e o neo consagrado, bem como participar de um momento de confraternização no salão da comunidade tomando sopa ou chá e conversando entre si.
Vida eremítica

O canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, diz que “Eremita (do latim eremus = deserto) é aquele que se retirava ao deserto para uma vida de oração e penitência. Chama-se também anacoreta, palavra de origem grega que significa ‘sem coro’. A vida eremítica foi o primeiro tipo de vida consagrada masculina, muito florescente a partir do último terço do século III”, mesmo que pouco conhecida entre nós.

Há, ainda de acordo com o mesmo autor, dois tipos de eremitas: os que estão integrados em uma ordem religiosa (p. ex. carmelitas, camaldulenses etc.), e os que vivem isoladamente sem se ligarem a um Instituto religioso. São chamados de “eremitas diocesanos”, pois fazem sua profissão (portanto, um ato juridicamente público) nas mãos do bispo diocesano (cf. Código de Direito Canônico. São Paulo: Loyola, 1983, comentário ao cânon 603).

A grande missão do eremita na Igreja é a Oração da Liturgia das Horas e o Trabalho manual, intelectual e pastoral dentro da caridade cristã para com todos, de um modo especial para com os mais necessitados de oração e apoio espiritual.

Charles de Foucauld

Charles de Foucauld (1858-1916) nasceu, no dia 15 de setembro, em Estrasburgo, na França, e decidiu-se ainda muito jovem pela carreira militar, talvez por influência de seu avô materno que o criou desde os 6 anos de idade, devido à morte prematura de seus pais. Foi para o Marrocos como militar, mas, depois de ter recebido, após diversas peripécias, baixa do Exército, tornou-se explorador geográfico daquela região, produzindo uma notável pesquisa para a época.

Nessas aventuras militares e também amorosas – teve vários namoros contrários à moral cristã –, confessou ter perdido a fé em Deus. Graças ao Pe. Huvelin, da igreja de Santo Agostinho, em Paris, retornou, em 1886, para a Igreja por meio de uma confissão sacramental bem feita. Orientado pelo mesmo padre Huvelin, então seu diretor espiritual, fez uma longa peregrinação à Terra Santa e ficou impressionado com o “espírito de Nazaré”, ou seja: a vida escondida de Cristo dos 12 aos 30 anos. Desejou também isso para ele.

Voltou para a França e, em 1890, tornou-se monge trapista – Ordem fundada no século XIX, na região da Trapa, na mesma França. Permaneceu nessa Ordem até 1897. Deixou-a por julgar que precisava ser ainda mais pobre que os monges franceses de então. A vida materialmente farta do mosteiro o desiludiu. Ele queria ser pobre como os pobres à moda de Jesus de Nazaré.

Por fim, depois de ser empregado das monjas Clarissas, em Nazaré, em uma vida eremítica, tornou-se sacerdote, em 1901, na França, mas voltou para Beni Abbes e depois Tamanrasset (Hoggar), na África, na condição de padre-eremita. Afastado, mas ao mesmo tempo integrado à vida daquele povo de maioria muçulmana era por eles tido como santo.

No dia 1º de dezembro de 1916, em meio a uma revolta popular, o eremitério, residência pobre do Irmão Charles, foi invadido e o eremita que fora militar, geógrafo, linguísta, antropólogo, teólogo e sacerdote, assassinado. O Papa Bento XVI o beatificou no dia 13 de novembro de 2005 e sua memória litúrgica é celebrada em 1º de dezembro.

A semente caída na terra gerou frutos. Hoje são mais de vinte as famílias leigas e religiosas que vivem seu modelo de seguir a Cristo. Dentre esses seguidores e seguidoras estão os (as) eremitas: homens e mulheres que optam pelo silêncio orante, mas não se esquecem da caridade para com o próximo nem se afastam da obediência à Igreja, por meio da aceitação do que lhes pede o bispo diocesano, dentro do carisma contemplativo vivido.

Pedidos de oração e contato com o Ir. Vanderlei de Lima são possíveis pelo e-mail: 

rezemos@zipmail.com.br

Informações: Ir. Vanderlei de Lima

Fotos: Remorini Fotografia

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Tirado do site Diocese de Amparo










O EREMITA DE MINAS


12/10/16

Eu já era sacerdote quando resolvi passar alguns dias em Minas Gerais. Fiz isso, depois, várias vezes. Não me recordo das datas, mas acho que foi no final dos anos setenta.
Peguei o ônibus e desci numa cidadezinha no meio do mato, poucos habitantes. Perguntei o caminho para o casebre do eremita meu amigo, que morava lá, e mo indicaram. Foram 6 km de caminhada, pouco mais de uma hora e meia. Era só subida!
Parei num casebre, cansado, e perguntei sobre ele. Disseram-me onde era sua cabana. Finalmente o encontrei. Ele veio encontrar-me no portão.
Casebre gostoso, com quatro cômodos, feito de madeira. Dois quartos, uma cozinha e uma capela. A sala era na cozinha. Fogão a lenha. Chuveiro frio, feito com uma lata de 20 kg, com a opção de tomar banho na vertente, vinda da montanha, água geladíssima, em pleno mês de janeiro.

Quatro horas da tarde. Ouvia-se os macaquinhos fazendo barulho na mata ali vizinha, e muitos bichos barulhentos. À medida em que avançava a noite, alguns silenciavam, outros começavam o barulho.
Voltei do banho na vertente, ajeitei minhas coisas numa cadeira no quarto de hóspedes e sentamo-nos na cozinha para pormos a conversa em dia. Eu conhecera o eremita num mosteiro, também em Minas, igualmente no alto de uma outra montanha. Ele ansiava, naquele tempo, viver como eremita e assim o fez.
Lembro-me com muito pesar que, numa de minhas visitas ao mosteiro, ao capinar uma área frontal como lazer, cortei inadvertidamente um pezinho de pinheiro que era o xodó do meu amigo. Recordamos esse fato e rimos.
Às cinco e meia nos recolhemos à capela e rezamos as Vésperas. A seguir, fomos à cozinha para jantar. Ele esquentou a comida que fizera no almoço, fez salada com folhas que ele mesmo plantara e fritou ovos. De sobremesa, uma marmelada feita numa fábrica ali perto.
Cansado que estava, recolhemo-nos aos nossos quartos cedo, lá pelas 20 horas, após rezarmos as Completas. Eu o ajudei a arrumar a cozinha.
Rezei o terço e logo fui dormir. Não quis gastar velas, e por isso não li nada. Lá não há energia elétrica.
Levantei-me às cinco horas, com o chamado do Irmão eremita. Como ele não era padre, eu celebrei a Santa Missa e continuamos com um momento longo de oração, leituras e meditação. Depois rezamos as laudes (oração da manhã), e após isso tudo fomos à cozinha para tomar café. Gostei do pão que ele fez, e do mel puro, que ele conseguia no sítio vizinho. O leite também era obtido no mesmo sítio.
Dormi a noite como havia tempos não dormia, apesar do barulho da bicharada da floresta.
Falei um pouco sobre a minha vida daquela época, de pároco de cidade grande (eu morava em São Paulo), e ele falou-me sobre a vida que levava ali. Visitava as famílias, sobretudo os pobres e doentes. Um (a) eremita não pode isolar-se da comunidade onde vive. De jeito nenhum!
Depois do café saímos para conhecer o lugar. Vi sua horta, seu pomar e as redondezas. Voltamos às 10 horas, rezamos o ofício das 9 hs e eu o ajudei a fazer o almoço. A mistura foi batata doce frita, pois ele não come carne.
Uma vida muito sacrificada, com muitas renúncias, o que levou-me a pensar se isso não o levaria a abandonar tudo algum dia. A gente consegue viver de modo sacrificado um certo tempo, e se tiver acompanhante(s), mais tempo. Entretanto, para viver sozinho é preciso muita vocação e determinação. Não são todos que aguentam.
Após o almoço fizemos uma sesta e visitamos um doente no sítio vizinho onde ele comprava o mel e o leite. O doente era o esposo da senhora que nos atendeu. Ele pagava tudo com capinagem e serviços afins, pois o dinheiro era artigo difícil naquelas paragens.
Na volta, ajudei-o a aguar as plantas e a mexer com uma e com outra, e só paramos às 15 horas, para a oração das 15 e comermos algumas frutas próprias daquele lugar.
No dia seguinte escalamos um monte nas cercanias. Gostei muito. Lá do alto se via  o horizonte montanhoso de Minas, um cenário magnífico.
À tarde voltei para a cidadezinha pelo caminho mais curto, de 4 km, ao lado do córrego formado pela vertente em que tomei banho, e consegui tomar o último ônibus.
Minha impressão foi de muita solidão, solidão dilacerante e perigosa. Acho que não dá certo morar assim tão sozinho. Esse meu amigo, uns três anos depois, acabou abandonando a vida eremítica e casou-se. Atualmente trabalha na prefeitura de uma cidade pequena, como assistente de educação.
Eu lhe escrevi várias vezes, mas percebi que aos poucos ele ficou muito diferente no tratamento. Já não havia mais aquela doçura espiritual de quando ele era monge eremita. Sua espiritualidade tornou-se um tanto materializada.
São Basíio, São Bento e Thomas Merton desaconselhavam a vida eremítica, dizendo que a cenobítica (em comunidade) era melhor. Precisamos viver e aprender a viver em comunidade, sem deixarmos, é claro, a vida de oração, e, se for de nossa vocação, uma vida de oração mais intensa.

Quero lembrar que Jesus não foi eremita todo o tempo. Passava longo tempo em oração, mas viva, como em Nazaré, em família, e depois com os discípulos. 

domingo, 16 de outubro de 2016

O TESTAMENTO DE JESUS


(out. 2016)
O comendador Justino (nome fictício), riquíssimo, deixou toda a sua imensa fortuna para os dois filhos e três filhas que tinha, mas colocou uma condição para que eles tivessem direito à herança: conviverem um determinado número de anos juntos, sem brigas, com amor, honestidade, sinceridade, sem esbanjamento, com muita pureza e simplicidade.
É certeza que eles vão fazer tudo para cumprirem essa cláusula, para “botar as mãos” na fortuna imensa do pai.
Ora, Jesus, na cruz, deu-nos por herança dois valores incalculáveis: sua mãe, Maria: (Eis tua mãe, eis teu filho), e a vida eterna.
Maria nos leva a Jesus, que nos oferece a vida eterna , mas exige algumas condições: oi amor a Deus e ao próximo. Amor com “A” maiúsculo, que inclui a caridade, a misericórdia, a comiseração, o perdão, a convivência pacífica, a sinceridade, a simplicidade, a partilha, a pureza de coração etc.
Penso que o valor dessa herança deixada por Jesus, na cruz, é superior a qualquer quantia em dinheiro. Mas tenho certeza de que não temos tanto empenho em lutar contra nós mesmos para ganhar a vida eterna como teríamos para ganhar uma fortuna em dinheiro.

Hoje é 12 de outubro, dia de N. Sra. chamada com o nome de Aparecida, essa mãe tão terna que nos leva a Jesus pelo caminho da simplicidade, da convivência terna, pacífica, misericordiosa, entre nós. Cabe a nós levarmos a sério as exigências de Jesus e, um belo dia, nos encontrarmos todos lá no céu.